É professor do Depto. de Economia da PUC/Rio e economista da Opus Gestão de Recursos
O Futuro da Desigualdade
A melhoria do ensino é a solução para reduzir a desigualdade na distribuição de renda neste novo Brasil
O Brasil é um país extremamente desigual. Uma importante manifestação deste fato é a desigualdade da distribuição da renda. Entretanto, nos últimos 15 anos, a desigualdade na divisão da riqueza diminuiu de forma sistemática, gerando otimismo quanto à capacidade de o País continuar nesta trajetória no futuro próximo. Renda, porém, é o resultado de um processo. A renda de uma pessoa depende de sua capacidade de gerar riqueza para as empresas e para a sociedade, ou seja, de sua produtividade. Quanto maior a produtividade, maior a renda. Algumas pessoaspodem já nascer ricas e viver dos resultados de aplicações financeiras. Mas elas são exceções. Em geral, as pessoas trabalham, são remuneradas, poupam parte desta remuneração e aplicam a poupança no mercado financeiro. Estudos mostram que a redução dessa desigualdade foi o resultado, principalmente, de três fatores. A universalização da educação dos filhos das famílias atendidas pelo Bolsa Família, de outros programas de transferência de renda, principalmente o maior acesso a pensões do INSS por parte de idosos pobres (Loas), e dos ganhos reais do salário mínimo. Desses três fatores, apenas aquele ligado ao maior acesso à educação afeta a produtividade no futuro. Os outros dois são direcionados para adultos e idosos e não têm nenhum efeito sobre a produtividade dos trabalhadores. O acesso à educação foi importante, em um primeiro momento, para reduzir a desigualdade na distribuição da produtividade. Porém, somente uma redução da desigualdade na qualidade do sistema educacional irá afetar estruturalmente a desigualdade da renda no País no futuro. Ocorre que o sistema educacional brasileiro é extremamente desigual. Em média, a qualidade da educação oferecida nas escolas está diretamente relacionada à renda per capita das famílias. Quanto mais pobre, menor a qualidade da escola frequentada por seus filhos. E muito pouco progresso foi feito para resolver este problema. Alguns estudiosos sugerem que houve até retrocesso. Na última vez em que isso aconteceu, entre as décadas de 50 e 60, o crescimento gerou excesso de demanda por trabalhadores qualificados e forte aumento da desigualdade da renda. Diante das desigualdades na qualidade do sistema educacional, podemos estar próximos de repetir essa história. A solução é investir na melhoria da qualidade do ensino pré-escolar e fundamental. Esta é a única forma de reduzir a desigualdade da distribuição de produtividade e, portanto, a desigualdade da renda de forma sustentável. O passado recente não nos permite ser otimistas quanto ao futuro da desigualdade.
Portanto, uma diminuição sustentável da desigualdade da renda deve ter por base uma diminuição da desigualdade na distribuição da produtividade. Quanto mais igualitária for a distribuição da produtividade, mais igualitária será a distribuição da renda. A pergunta é: a redução da desigualdade da renda no Brasil nos últimos 15 anos decorreu de uma diminuição da desigualdade na distribuição da produtividade?
O Brasil poderá entrar nos próximos dez anos em uma trajetória de crescimento forte e sustentável.
aramis oliveira
EM 12/01/2010 16:58:13
Se a péssima condição da educação no país se limitasse somente ao ensino fundamental seria mais facil consertar este problema o problema é que a educação também é péssima no ensino médio e nas universidades. E não é somente no ensino público não é também no privado.
Junior
EM 09/01/2010 12:00:56
Falta disciplina e respeito aos professores nas escolas por parte dos alunos. Em Minas, depois da eleição p/ diretores, estes temem reprimir alunos para não perder o voto destes nas eleições, e isso está contribuindo fortemente para decadência do ensino público. Acabou a meritocracia também...
Maria
EM 09/01/2010 10:07:19
Outra questão relevante é o salario péssimo ao professor. Aqui em Goiânia, a prefeitura e o estado ainda não pagam nem o piso mínimo estibulado pelo governo federal. Quem quer ser professor nestas condições?Estudantes fracos e de baixa renda, ou seja, o ciclo de péssima qualidade continua,perpetua.
Maria
EM 09/01/2010 10:04:16
Excelente texto. Merecida reflexão quanto a qualidade do ensino das escolas públicas, que na sua grande maioria é péssima. Com o sistema de ciclos, o aluno é automaticamente aprovado, mesmo que seja analfabeto. Além do mais, o aluno não pode ser cobrado a estudar de verdade, senão ameaça o professor
