Leonardo Attuch

Dilemas de aquário

O polvo vidente da Alemanha teve de escolher Dilma ou Serra. Inerte, pediu pão com manteiga

A notícia é bombástica e só não foi divulgada por razões de segurança nacional. Horas depois de prever que a Espanha eliminaria a Alemanha na semifinal da Copa da África, com um gol de cabeça de Puyol no segundo tempo, Paul, o polvo vidente da Alemanha, foi submetido a um novo teste de stress. Colocado diante de dois aquários, um com a foto de José Serra e outro com a de Dilma Rousseff, pediu-se ao cefalópode que escolhesse comer a isca de um ou de outro. Incapaz de decidir, Paul, o polvo, não moveu nenhum tentáculo. Inerte, pediu um pão com manteiga. Mas fez questão de deixar claro que não estava prevendo a vitória de Marina Silva nas eleições presidenciais de 2010 – especialmente depois que o vice da candidata verde, o bilionário Guilherme Leal, sócio da Natura, declarou que a maior parte do seu patrimônio está investida fora do Brasil, provavelmente numa offshore.

Sem apontar uma luz para os destinos do Brasil, o octopus alemão reduziu suas ambições e passou a analisar as eleições estaduais. Mergulhou na disputa do Distrito Federal, cujo governo, assim como ele, também se tornou acéfalo após a queda de José Roberto Arruda. Paul, o polvo, ficou espantado com o milagre da multiplicação dos peixes realizado pelo candidato comunista Agnelo Queiroz, ex-ministro do Esporte, cujo patrimônio cresceu 413% em quatro anos – foi de R$ 224,3 mil a R$ 1,15 milhão. Paul fez as contas e descobriu que a poupança ganhou 33,7% no período, enquanto o Ibovespa subiu 52,2%. As ações da Berkshire Hathaway, do lendário investidor Warren Buffett, renderam míseros 30,9%. “Esse Agnelo bate um bolão”, pensou Paul lá com seus botões. Em seguida, ele analisou a prestação de contas de Joaquim Roriz à Justiça Eleitoral. Descobriu que o patrimônio do adversário de Agnelo recuou 75% no mesmo período, porque o candidato lançou a zero o valor de suas vacas premiadas – um caso típico de “empobrecimento ilícito”.

Paul, então, nadou até Alagoas. E se surpreendeu ao saber que o ex-presidente Fernando Collor, aquele que perdeu o cargo por uma Fiat Elba, declarou a posse de uma Ferrari, uma Maserati, uma BMW, um Citroën e uma lancha. “Como é duro votar no Brasil”, ele pensou. E decidiu transferir seu título de eleitor ­para o Paraguai, um país onde são cumpridas até promessas de campanha que jamais foram feitas. Paul, é claro, referia-se à musa Larissa Riquelme. E, quando foi novamente instado a prever o resultado da eleição brasileira, o polvo mais uma vez se esquivou. Disse que antes teria que consultar seu oráculo. Ninguém menos que Mick Jagger, o pé-frio, que passou a bola para Ringo Starr, o beatle que compôs “Octopus’s Garden”.


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Ferreira Pena

EM 22/08/2010 20:57:02

É isso! Seu comentário brinca com essa idiotice e malandragem que tomou conta da política nacional. Comentários mais leves e responsáveis só nos fazem refletir sobre a encruzilhada para a qual estamos caminhando: desenvolvimento com liberdade ou desenvolvimento com contrôle social?


valerio

EM 15/07/2010 13:25:45

Estupefato !! O polvo já não tem mais tanta certeza assim??? Para que já estava eleito antes da disputa começar....


Jesuita

EM 13/07/2010 22:58:39

Sempre uma historia de contos temos uma moral , é certamente está claro que o Brasil não tem uma otima opcão para ser voltada , ou seja um com candidato , então temos que ver outros meios para podermos julgar , só espero que não me colocam outro analfabeto , porque de analfabetos o Brasil ta cheio !


Dárcia Lima e Silva

EM 13/07/2010 00:53:56

Creio que o Paul vai se aposentar justo para não por em risco sua conduta de acertos, pois nesse cenário político, só dá opção nula.


anti pt

EM 12/07/2010 10:27:14

Sorte dos alemães que tem um polvo vidente. Nós temos um lulla que nunca sabe nada, nunca viu nada...


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