Pierre Schürmann
Filho mais velho da primeira família brasileira a dar uma volta ao mundo de veleiro, é amante da vida simples

A vida Zen e o desconforto

É mais fácil reclamar do que ter a verdadeira vontade para mudar ou abraçar a incerteza de um mundo novo

Ultimamente tenho encontrado vários amigos que, ao saberem que moro em Salvador e que decidi levar uma vida mais Zen, imediatamente me dizem: "Ê, que vida boa! Quem dera eu pudesse levar a vida assim, na moleza".

No começo, confesso que ficava chateado. Afinal, a vida Zen – ou a busca do equilíbrio em sua vida – requer vontade e esforço.

Estava refletindo sobre isso outro dia e cheguei à conclusão que, para levar uma vida Zen, uma pessoa tem que estar aberta a um certo desconforto.

Passei muitos anos de minha vida trabalhando mais de cem horas por semana, de reunião em reunião. Sem tempo para mim, minha família ou meus filhos.

Reclamava do excesso de trabalho, do trânsito e da dificuldade em ter equilíbrio em minha vida. Era, em carne e osso, a típica pessoa na busca da qualidade em sua vida.

Hoje vejo que tudo aquilo era muito confortável. Afinal, a maioria dos meus amigos reclamava da mesma coisa. Era, então, parte de uma "comunidade".

Quando decidi mudar minha vida para verdadeiramente buscar mais qualidade, descobri que era mais difícil que imaginava.

Além de ter de me adaptar a um local diferente (Bahia), tive de aplicar muita auto-disciplina e determinação. Porque não é fácil se acostumar a viver sem o barulho e o estresse de cada dia.

Escrever foi um dos caminhos que encontrei para exercitar meus pensamentos na falta de bons papos com amigos. Meditar ajudou também.

Dois anos após a decisão, ainda não posso dizer que estou confortável com a mudança. No início deste ano, cheguei a considerar voltar a ter um apartamento em São Paulo para passar mais tempo lá.

O fato é que muitas vezes não melhoramos nossa qualidade de vida porque, como aprendi na prática, é desconfortável.

Somos críticos de plantão de nosso status quo. É mais fácil e cômodo reclamar do que ter a verdadeira vontade ou coragem para mudar ou abraçar a incerteza de um mundo novo.

Se você realmente quer mudar, esteja pronto para deixar essa vida confortável de lado e se dedique para que isso aconteça.

Não vai ter nada de mole, mas vai valer muito a pena.
 


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miriam keller

EM 12/10/2010 11:00:16

Pois é, após 36 anos de trabalho, sempre em emp. privadas, decidi me aposentar. E os comentários e sentimentos (dos outros e meus) são idênticos. Tenho montes de atividades que cabem em meu futuro parco orçamento, que precisarei dimensionar rigorosamente. Então, here I am "moleza de vida"!


JOSIVAL B. ALBUQUERQUE

EM 31/08/2010 23:56:46

...Ele dificilmente sabe distinguir um corpo do outro. Ele simplesmente persegue sua vizão de excelência em tudo que faz, deixando para os outros a decisão de saber se está trabalhando ou se divertindo. Ele acha que está sempre fazendo as duas coisas simultaneamente. Sempre ZEN.


Solange

EM 26/06/2010 14:33:58

Mudança de "comunidade", desconfortável para padrões aos quais nos acostumamos que já provaram causar lixo ao mundo. E a nossa consciência por uma vida pessoal mais saudável, um planeta melhor para as gerações futuras ? Ser atual é reduzir, reciclar, reutilizar, minha bisavó sabia, mas nós ...


Rodrigo

EM 19/05/2010 14:25:53

Gostei do seu recado e assino embaixo. Essa é a letra de quem trocou o DF pela Bahia e ainda procura o porque de não voltar para a capital federal.


Marina

EM 12/05/2010 16:02:36

Gostei dessa coluna, exceto quando transimite a ideia de que a Bahia é um lugar diferente, onde dá pra viver sem trabalhar, uma vida de moleza.


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