Leonardo Attuch

Nós e eles

A polarização eleitoral pode ajudar mais a oposição do que o próprio PT

O jogo, enfim, começou. E segue o roteiro traçado pelo governo: o de uma eleição polarizada entre PT e PSDB. “Nós” contra “eles”, repetem os estrategistas da campanha oficial. Oito anos de Lula, contra oito anos de FHC. Estado forte versus neoliberalismo. E foi exatamente essa a linha do discurso da ministra Dilma Rousseff durante o lançamento do PAC 2 – a curiosa continuação de um filme, o PAC 1, que mal começou. No seu último ato de governo, Dilma tentou até chorar, mas não foi convincente. A voz ficou embargada, mas nenhuma lágrima rolou do seu rosto ou de quem estivesse na plateia. No palanque, apenas bocejos – e muitos.

Por trás do discurso, há uma fraude gigantesca: a ideia de que o PT reinventou o Brasil. E que, portanto, o eleitor não deve permitir retrocessos, como, por exemplo, uma volta à era das privatizações. Suspeita-se até que o PSDB esteja caindo na armadilha. E a prova seria a decisão de “esconder” o ex-presidente FHC do ato de lançamento da campanha de José Serra, programado para o dia 10. Se fizerem isso, cometerão erro idêntico ao de 2006, quando Geraldo Alckmin conseguiu a proeza de ter menos votos no segundo turno do que no primeiro, depois de vestir uma jaqueta com os logos das estatais, rendendo-se à lógica petista.

A questão a ser colocada é muito simples: de que têm medo os tucanos? Deveriam mesmo temer a polarização proposta pelo PT? Na verdade, seria muito mais simples – e bem mais eficiente – defender o Plano Real, do qual o governo Lula se beneficia até hoje, e até mesmo as privatizações, que fizeram com que cada brasileiro pudesse ter um telefone, evitaram que a Embraer falisse e ainda permitiram que uma empresa como a Vale se tornasse a maior do mundo em seu setor. Muito do que Lula hoje colhe foi plantado por seus antecessores. Ou seja: a popularidade desfrutada pelo grupo que Dilma chama de “nós” não seria a mesma sem tudo aquilo que “eles” fizeram.

Enquanto isso, quais são os grupos que se aproximam da candidatura petista? Nas zonas rurais, o sem-terra José Rainha promete um “abril vermelho”, com mais invasões de terras. E diz que todos os acampamentos comandados por ele serão, ao mesmo tempo, um “campo de batalha” e um “comitê pró-Dilma”. Em São Paulo, a sindicalista Maria Izabel Noronha comanda uma greve claramente política, em que os professores queimam livros e fecham as ruas da maior cidade do País, infernizando a vida dos motoristas. Investem tão escancaradamente na baderna que correm até o risco de provocar no eleitor um instinto de defesa: “nós” contra “eles”. Eles, evidentemente, o PT.


publicidade

DBS

EM 09/04/2010 18:47:22

O populista, Lula. Conseguiu massificar o crédito. Acesso indispensável para qualquer cidadão. Aí está o erro. Liberou sem saber diagnosticar. O povão emergente não sabe usar o dinheiro. Nada sabe sobre valor monetário. Pouco sabe fazer o dinheiro fazer mais dinheiro. Sabem mesmo é gastar. Desgastar


DBS

EM 09/04/2010 18:41:46

VISITEM E PARTICIPEM: www.bovap.com.br / Mercado de Capitais de Valor Humano.


Wendel

EM 09/04/2010 00:07:50

Leonardo em que mundo Vc vive!!?? Isto E, pelo amor de Deus, lamentável!


cintia

EM 08/04/2010 22:58:16

...que há pobres no Brasil, e que distribuiçao de riquezas é requisito básico, indispensável p o crecimento do país... nao, vc acharia outra soluçao: eliminaria os pobres mas matando-os de fome!


cintia

EM 08/04/2010 22:56:45

eu nao sei se vc é só um riquinho mesquinho e por isso puxa tanto o saco dos psdbistas, ou se realmente é cego! nao pode ser cego, nem burro, ou nao inverteria os fatos tao bem assim contra o pt, a ponto de voltar ''petistas'' contra o pt. Deve ser mesmo um almofadinha bem nascido burguês q ignora..


índice de matérias edições anteriores edições especiais assine a revista

© Copyright 1996-2011 Editora Três
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.