Muito doce
A diretora Estela Renner acaba de lançar um filme que pode fazer muita gente descobrir que está matando sem saber
Até alguns anos atrás, era comum ver brasileiros voltando de suas viagens de compras ou passeios aos Estados Unidos, comentando entre impressionados e orgulhosos sobre a profusão de corpos gigantescos pelas ruas e parques das cidades americanas. Sim, era possível identificar também qualquer coisa de orgulho e às vezes até uma ponta de acidez vingativa em um ou outro desses interlocutores enquanto contavam sobre as dezenas de obesos vagando pelo território americano. Se a simples observação da população nas calçadas já levava a um diagnóstico assustador, os dados científicos aterrorizavam bem mais. Entre outras estatísticas, há uma em especial de estarrecer, algo que nunca aconteceu antes no mundo: uma geração apresentará expectativa de vida menor do que a que a antecedeu. Uma safra inteira de pessoas que hoje são ainda muito jovens, deve literalmente explodir por conta de doenças provenientes da quantidade e da qualidade daquilo que ingere. E tudo indica que aqui, no país do futuro, já podemos dizer que chegamos lá. A má publicidade voltada para as crianças é um dos assuntos estruturais do documentário. A nefasta associação de ícones de saúde a alimentos que nada têm de saudáveis e a odiosa distribuição de brinquedos como brindes na compra de lixo comestível estão entre os tópicos colocados em discussão. Num dos momentos mais marcantes, crianças são colocadas diante de frutas e legumes muito comuns. Depois de olhar e de apalpar os vegetais, muitas delas demonstram não só desconhecer os nomes, mas, em alguns casos, nunca ter provado alimentos tão supostamente familiares a uma criança brasileira quanto uma maçã. Mamadeiras lotadas de refrigerantes sendo mamadas por bebês de colo, populações carentes e indígenas recebendo a visita de “barcos supermercado” de uma das maiores empresas de alimentos do mundo descarregando toneladas de biscoitos recheados (um tubo desses biscoitos de 140 g tem 30 g de gordura e 50 g de açúcares, o que equivale a nada menos do que oito pães franceses) e outras formas de empacotar açúcar e gordura em excesso. A propósito, as quantidades industriais de açúcares, gorduras e sal que são colocadas nos alimentos, para acentuar o sabor, melhorar a textura e torná-los mais irresistíveis aos paladares e capacidades de discernimento menos desenvolvidos dos menores são outro aspecto chocante do documentário. O projeto contou com o apoio fundamental do Instituto Alana, conhecido pelas iniciativas contra os excessos da propaganda voltada ao público infantil. Uma amostra do filme pode ser vista no site da organização: http://alana.org.br/ Estela e a equipe do Alana prestam um serviço de enorme relevância ao País e acendem uma luz amarela forte de alerta sobre como podemos estar inadvertidamente patrocinando a morte prematura e lenta de nossos filhos a cada ida ao supermercado. A coluna de Paulo Lima, fundador da editora Trip, é publicada quinzenalmente
A ex-modelo, ex-estudante de nutrição e mestre em artes plásticas Estela Renner lança
um filme que denuncia e alerta sobre a pandemia da obesidade infantil se instalando no Brasil
É mais ou menos o que se conclui ao assistir ao documentário “Muito Além do Peso”. O filme, dirigido por Estela Renner, produzido por Marcos Nisti e Juliana Borges e com fotografia de Renata Ursaia, viaja pelo Brasil e descobre algumas consequências menos divulgadas do crescimento econômico, da inclusão e da “nova classe C”. Em cerca de uma hora e meia de imagens e depoimentos, descobre-se, por exemplo, que, nos postos médicos de povoados longínquos, os casos de crianças desnutridas tornaram-se raríssimos. Ao contrário, hoje grande parte das ocorrências médicas dão conta de problemas decorrentes da obesidade infantil em números impressionantes. Na apresentação do filme, no site da Mostra Internacional de Cinema, está escrito: “Pela primeira vez na história da raça humana, crianças apresentam sintomas de doenças de adultos. Problemas de coração, respiração, depressão e diabetes tipo 2. Todos têm em sua base a obesidade. O documentário discute por que 33% das crianças brasileiras pesam mais do que deviam.”
PRISCILA
EM 26/11/2012 09:44:21
IMPORTANTÍSSIMO, POIS PRECISAMOS ABRIR NOSSOS OLHOS A ESTA SITUAÇÃO QUE TEM FEITO PESSOAS OBESAS E VAZIAS DE SI MESMAS, A CULPA DA CRIANÇA ESTAR OU SER OBESA É DOS RESPONSÁVEIS POR ELA, MAIS VALE UM NÃO EM HORAS CERTAS QUE UMA CRIANÇA, JOVEM OU ADULTO INFELIZ, NÃO EXISTE GORDINHO FELIZ (EU VIVI ISTO
