Leonardo Attuch

Polícia e política

A pacificação do Rio começa a esvaziar o discurso da "tropa de elite"

Nas ruas do Rio de Janeiro, principal vitrine do Carnaval brasileiro, o clima é de paz e alegria. Os cariocas estão felizes e nunca tantos turistas internacionais visitaram a cidade, orgulhosa da pacificação e das suas UPPs, deixando um rastro de bilhões na economia.

É um ambiente de festa, mas que esteve ameaçado por uma greve de policiais e bombeiros, rapidamente esmagada pela ação do governador Sérgio Cabral. Em menos de 48 horas, os líderes do movimento foram presos, a Assembleia do Rio de Janeiro aprovou, por 60 votos a um, o aumento salarial para agentes da área de segurança e foi ainda possível desmascarar a natureza política da greve. Em vídeo, o bombeiro Benevenuto Daciolo, que hoje está preso, incitava o “Fora, Cabral”, fosse qual fosse o aumento dos bombeiros.

Além disso, articulava seus próximos passos com o ex-governador Anthony Garotinho, do PR, e com a deputada Janira Rocha, do PSOL, partido que aposta suas fichas no deputado Marcelo Freixo, pré-candidato à Prefeitura do Rio.

Garotinho, Freixo, Janira, Daciolo e algumas outras lideranças fazem parte de uma “tropa de elite” desastrada, que não se conforma com o sucesso da política de segurança do Rio de Janeiro.

No ano passado, quando um quartel dos bombeiros foi invadido, essa turma vislumbrou a oportunidade de apostar na desordem. Cabral, que errou ao adjetivar e chamar os bombeiros de “vândalos” e “irresponsáveis”, viveu naquela crise seu pior momento, enquanto Garotinho, no Congresso, se tornava o grande articulador da PEC 300, que equipararia os salários dos policiais de todos os Estados aos do Distrito Federal.

Desta vez, no entanto, o governador do Rio já estava vacinado. Cancelou uma ida à Europa, montou uma sala de guerra no Palácio, obteve provas da politização da greve e, simplesmente, agiu.

Esse ambiente traz consequências políticas. E é isso que aproxima estilos de ação política aparentemente tão distantes quanto o populismo de um Anthony Garotinho e o salvacionismo de um Marcelo Freixo – para quem não sabe, foi ele quem inspirou o personagem Diogo Fraga, o professor idealista que combatia as milícias no filme “Tropa de Elite”. Há alguns meses, Freixo anunciou que viveria no exílio por se sentir ameaçado de morte e a população nem se deu conta. Tanto que ele já voltou.

Num Rio de paz, o discurso da insegurança vem sendo esvaziado. Dificilmente renderá votos em 2012 ou em 2014. Se quiserem chegar ao poder, que lutem com outras armas e argumentos.

Ao menos, o episódio do Rio serviu para escancarar o caráter político dessas movimentações. E isso já foi detectado também no Distrito Federal. Por trás de tudo isso, é possível enxergar as digitais do ex-senador Alberto Fraga, que tem fortes vínculos com a área de segurança. Espera-se que, em Brasília, o governador Agnelo Queiroz siga o exemplo de Sérgio Cabral. 


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Cb PMDF

EM 24/02/2012 18:50:13

Antes de vincular o movimento da PMDF a político "A ou B', o senhor deveria via ao DF e conversar com alguns policiais militares. Com certeza não teria essa opinião governista. Pra se ter uma idéia o Presidente da Câmara Legislativa era nosso representante, e foi eleito por nós....nem apareceu...era


GILBERTO(RJ)

EM 24/02/2012 15:39:02

Por que o Rio escolhe mal seus governadores e prefeitos? Assistam Tropa de Elite II. A resposta está lá. O filme explica como funcionam as eleições aqui.


somente isso

EM 23/02/2012 23:01:11

Segunda economia do país com índices de estado pobre. Este é o retrato do Rio. Para onde escoa tanto dinheiro? Rio, segunda cidade mais cara das Américas e o ar mais poluído do Brasil. O carioca deve se orgulhar muito de sua falsa malandragem. Come lavagem e arrota caviar. É um füdido.


INSISTE NO ERRRO

EM 23/02/2012 22:56:58

Quem vota em Cabral não quer melhorar, que manter tudo com está. Sua atuação em Angra e depois na região serrana foi de ruim a péssima. Tudo continua ruim como sempre mas ele anda de jatinho de empresário para lá e para cá. O carioca se detesta pois vota mal muito mal.


GILBERTO(RJ)

EM 23/02/2012 20:22:45

O paradoxo brasileiro: temos liberdade de imprensa, mas não temos imprensa.


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