A Semana > Entrevista
|  N° Edição:  2127 |  13.Ago.10 - 21:00 |  Atualizado em 23.Mai.12 - 00:14

Severino Cavalcanti

"Quem tem passado suspeito
não pode ser candidato"

Cinco anos após ter renunciado ao mandato de deputado para não ser cassado, o ex-presidente da Câmara diz que há muita "brandura" na aplicação da Lei dos Fichas-Sujas

Hugo Marques

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CONVERSADOR
Severino diz ter entrado na política rico e hoje ser um homem sem posses

Se a grande obsessão do pre­feito Odorico Paraguaçu de “O Bem Amado” era encontrar um morto para inaugurar o cemitério de Sucupira, o principal dilema do prefeito Severino Cavalcanti é não conseguir gastar um centavo dos milhões que o governo federal manda para o município de João Alfredo (PE), que administra desde 2008. “Estou amarrado pela inadimplência”, reclama.

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"Eu tenho é dó do Fernando Gabeira. Acho que ele deveria deixar
essa vida que ele tem e levar uma vida normal"

Severino renunciou ao cargo de presidente da Câmara dos Deputados em 2005, ao ser acusado de receber “mensalinho” de um empresário que administrava os restaurantes do Congresso. “Aquilo foi agiotagem”, diz Severino para negar o mensalinho. Aos 79 anos, ele acredita que acertou ao arquivar os pedidos de impeachment de Lula e diz que foi sacrificado por ter ficado ao lado do presidente. Mas não se arrepende da decisão. Mesmo residindo na Praia de Boa Viagem, no Recife, ele não toma banho no mar. Sua única diversão é a política: “Se eu não puder ficar na política, estou próximo da sepultura.”

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"O Eduardo Campos é muito melhor que o avô dele. O Arraes
tinha posição de revolta, enquanto o Eduardo, de construir"

Istoé -

Depois da renúncia, o sr. disse que, sem sair da rede,  teria 100 mil votos na última eleição para prefeito, mas recebeu apenas oito mil votos. O que deu errado?

Severino Cavalcanti -

O município na época só tinha 18 mil eleitores. Agora está com 22 mil eleitores. Vou me candidatar à reeleição, pelo PP. Sempre estou com meus eleitores.

Istoé -

O que o sr. fez na prefeitura até agora?

Severino Cavalcanti -

Peguei a prefeitura numa situação das mais difíceis, tomada pela inadimplência. A prefeita que saiu não prestou conta direito das coisas e eu fiquei com uma verba de R$ 4,8 milhões do governo federal. Devolvi porque a prefeitura estava inadimplente.

Istoé -

O que o sr. acha da lei dos fichas-sujas?

Severino Cavalcanti -

Eu acho que deveria ser ainda mais exigente. Quem tem passado comprometedor não pode ser candidato. Não pode mais essa história de ter uma vida desregrada, desabonadora e ser representante do povo.

Istoé -

O que o sr. está achando da aplicação da lei pelos TREs?

Severino Cavalcanti -

Acho que não estão fazendo a coisa com muita rigidez. Estão com muita brandura. Isso vai muito da influência desses políticos que estão sendo julgados.

Istoé -

Na Câmara, o empresário Sebastião Buani acusou o sr. de cobrar mensalinho. Isso não o desabona?

Severino Cavalcanti -

Ele é um vigarista. Tentou se aproveitar de mim, mas não dei oportunidade. Ele queria facilidades dentro da Câmara. Por exemplo, a questão das refeições, havia reclamação do pessoal, eu reclamava na época, o restaurante não atendia muito bem. Ele queria que nada mudasse. Pressionei para ele melhorar. Tanto é que você vai hoje lá e é outro restaurante. Depois que ele caiu, tudo melhorou. Não quero conversa com Buani.

Istoé -

O que era, então, a história do cheque que o sr. recebeu do Buani?

Severino Cavalcanti -

Era agiotagem. Meu filho que morreu é que tomou emprestado dele. Buani emprestava para várias pessoas na Câmara. Um sujeito na posição que eu estava não iria se queimar por causa de uma importância daquela...

Istoé -

Mas então por que o sr. renunciou ao mandato e deixou a presidência da Câmara?

Severino Cavalcanti -

Dei cobertura ao governo Lula. Todos aqueles que eram contra o presidente não aceitavam minha posição de defender a administração dele. Fui vítima. Não estou arrependido de ter sido sacrificado por ter tomado posição ao lado do presidente Lula. Até o pedido de impeachment da OAB arquivei também, foi quando eu saí. Tenho uma vida modesta. Estou muito satisfeito. São 40 anos de vida pública. Normalmente todos são ricos. Eu sou pobre, posso dizer. Tenho patrimônio muito pequeno.

Istoé -

O sr. foi pressionado para assinar o impeachment do presidente?

Severino Cavalcanti -

Claro. O pessoal queria que eu levasse adiante. Não levei. Os sete pedidos foram todos arquivados. Depois que saí não houve mais pedido de impeachment para o presidente Lula.

Istoé -

Quem pressionou mais?

Severino Cavalcanti -

Os deputados de oposição. Aquele da Bahia, o Aleluia (José Carlos Aleluia, do DEM). Foi um dos que mais incentivaram, que mais faziam pressão. Olhe, eu tenho arrumado muitos inimigos por isso, por citar, por ser muito aberto. Deixa isso aí. São os de oposição.

Istoé -

Alguém do governo pressionou o sr. para não assinar os pedidos de impeachment?

Severino Cavalcanti -

Ninguém pressionou. O próprio ministro Márcio Fortes, que eu indiquei, não pediu que eu fizesse qualquer coisa.

Istoé -

O sr. diz que é a favor da lei dos fichas-sujas, mas renunciou ao mandato em 2005 para não ser cassado. Seu caso não se enquadraria na lei dos fichas-sujas?

Severino Cavalcanti -

Preferi renunciar e, assim, dar a oportunidade que dei ao Lula. Porque eu não tenho nada que me comprometa. Nunca participei de nada. Eu era um homem rico e hoje sou um homem pobre. Compare com o IR de todos os outros deputados. Eu não aumentei meu patrimônio.

Istoé -

De quanto é seu patrimônio?

Severino Cavalcanti -

Não chega a R$ 1 milhão. E há a herança da mulher. Ela é paulista, de Aparecida, e de herança ela trouxe um apartamento

Istoé -

Mas o sr. tem apartamento em São Paulo, não tem?

Severino Cavalcanti -

Tenho imóvel na rua Dom Inácio Uchoa, na Vila Mariana. Só tenho esse de São Paulo e moro num apartamento que é da minha filha, a Catarina Valéria, no Recife. Fui comerciante em São Paulo, no Largo da Misericórdia. Tinha o edifício Ouro para o Bem de São Paulo, aquele prédio construído na Revolução de 32. Eu era atacadista de joias. Cheguei a ter 16 lojas, as lojas Majucana.

Istoé -

Seu maior adversário na Câmara foi o deputado Fernando Gabeira?

Severino Cavalcanti -

Foi o Gabeira, porque eu o combati muito. Comecei a combater a posição dele, eu achava que Gabeira devia ir para a cadeia por defender a maconha. A polícia o pegou com tráfico de sementes de maconha. Não tenho mágoa do Gabeira. Tenho é dó dele. Eu acho que ele deveria deixar essa vida e levar uma vida normal.

Istoé -

Muitos parlamentares que fazem oposição ao Lula são do DEM. Como está o DEM no Nordeste?

Severino Cavalcanti -

O DEM está derrotado. Deve fazer uns três deputados, se fizer. Não vai fazer nenhum senador. Apesar de o Marco Maciel ser excelente figura, ficou contra o governo Lula. Quem está contra o governo Lula não tem oportunidade de ser eleito. Em Pernambuco tem o Lula como exemplo de administração e o Eduardo Campos. O Eduardo é muito melhor que o avô dele, o Arraes. O Arraes tinha uma posição de revolta, já o Eduardo tem a posição de construir, de fazer. Jarbas perde no primeiro turno, exatamente por ter se portado contra o governo Lula.

Istoé -

O governador Eduardo Campos ganha a eleição?

Severino Cavalcanti -

Ele pode ficar dormindo, não precisa fazer campanha, vai ganhar. O Eduardo mudou o Estado de Pernambuco. Hoje você vê crescer todos os municípios, tanto do sertão, como do agreste, como da área metropolitana. Ele está preparando a juventude para ocupar cargos porque o número de empregos em Pernambuco é muito grande e estão buscando gente de outros Estados.

Istoé -

O sr. chegou a conversar pessoalmente com a Dilma?

Severino Cavalcanti -

Conversei. Quando era presidente da Câmara e ela era ministra. Dilma atendia meus despachos, às vezes lá no meu gabinete. Ela atendia bem os deputados. Eu telefonava sobre demanda dos deputados e ela atendia todos eles.

Istoé -

Atendia com liberação de verbas para as emendas?

Severino Cavalcanti -

Sim, claro... Não, o que os deputados queriam, eu não sabia o que eles queriam. Eles iam cuidar dos interesses dos Estados e ela recebia com a maior cordialidade. Como também o ministro da Fazenda, o Palocci, ia dar despachos lá no meu gabinete. Ele deu uns três expedientes no meu gabinete. Os deputados sabem que ele ia lá ao gabinete da Presidência para atendê-los.

Istoé -

Depois de tudo o que aconteceu, como o sr. é tratado nas ruas?

Severino Cavalcanti -

Eu sou abraçado. Todo mundo quer tirar retrato comigo. Não tem um parlamentar hoje que tenha a popularidade e a aceitação do povo como eu. Fui lá para a convenção da Dilma em Garanhuns. Eu devo ter tirado mais de 100 retratos lá. Eu voo nos aviões e, quando chego nos aeroportos, é o povo querendo tirar retrato comigo. Quem quer tirar retratos é porque odeia a pessoa? Que tem indiferença? O povo tem simpatia por mim.
 

Istoé -

Mas o sr. parece mais triste.

Severino Cavalcanti -

Não. É porque eu estou resfriado.

Istoé -

Quantos cargos federais o sr. ainda tem no País?

Severino Cavalcanti -

Não tenho nenhum. Tenho só minha filha, que é presidente do IRH, que é o antigo Instituto de Previdência do Estado, é quem cuida dos funcionários. É um cargo estadual. Foi Eduardo Campos que deu. Meu filho, o Zé Maurício, foi para o Ministério da Agricultura, mas foi indicado por 90% da bancada de Pernambuco.

Istoé -

A política no Nordeste sempre foi ligada ao coronelismo. Ainda é assim?

Severino Cavalcanti -

O coronelismo já acabou. Hoje não tem mais coronelismo, a população tem outro espírito. A população está mais informada, tem televisão, tem rádio, tem jornais.

Istoé -

Até que ponto o Bolsa Família influi na eleição?

Severino Cavalcanti -

O Bolsa Família dá oportunidade aos miseráveis. Aqueles que não tinham oportunidade de trabalho estão podendo viver. Hoje você não encontra mais no interior de João Alfredo aquelas pessoas que passavam um ano inteiro sem ver um pedaço de carne. O eleitor vai lembrar que passava fome e hoje não passa mais.




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Marcos Pereira 18.Mai.2012
Antonio Carlos de Almeida Castro, Kakay 11.Mai.2012

Botelho Pinto Jr

EM 15/08/2010 02:27:25

Eu sou fã do Severino. Homem sincero e honesto. É um injustiçado. Por favor, não falem mal desse santo homem.


Mineiro de Mariano Procópio

EM 14/08/2010 13:57:23

Esse é pior do que todos juntos... cabra nojento... puxa-saco... e esse povinho ainda vota num cara-de-pau desse... troca a feliz...cidadania... dos filhos que gera após tomar uns goles... e as mulheres que não querem nada com o trabalho e vivem de migalhas do dia-dia e aceitam receber...


Vinícius

EM 14/08/2010 12:54:45

Severino é como 99% dos políticos do Brasil. Nem melhor nem pior que eles. Não é justo escolher Severino para "judas" enquanto Renan, Collor, Jader Barbalho, Maluf e Yeda Crusius estão em plena atividade. Política no Brasil é pura hipocrisia.


marcelo b.

EM 14/08/2010 03:25:47

peroba nele!


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