Constance Briscoe
"Acredito que sou ótima mãe"
Juíza inglesa conta em entrevista à ISTOÉ os motivos que a levaram a escrever o livro em que narra as agressões físicas e psicológicas que sofreu da própria mãe
Suzane G. Frutuoso
Confira abaixo a entrevista com a inglesa Constance Briscoe, de 52 anos, autora de "Feia - a história real de uma infância sem amor” (Ed. Bertrand). Após o lançamento do livro, a mãe da escritora, Carmen, tentou processá-la por causa da obra. Perdeu.
Por que a senhora resolveu falar abertamente sobre os abusos sofridos na sua infância?
Sempre pensei em escrever sobre minha história. A primeira vez que fiz isso foi quando meu filho mais velho nasceu, em 1987.
Mas nunca passei do primeiro capítulo. Na época, resolvi apenas tocar a vida. Depois, escrevi porque gostaria que meus filhos conhecessem mais sobre minha luta e que eu não tinha vergonha do meu passado. Ao mesmo tempo, não desejava criá-los sob o estigma de uma mãe que sofreu abusos. Eles nunca poderão dizer que falharam na vida porque a mãe deles teve uma vida difícil.
Quantos anos a senhora ficou sem falar com sua mãe?
Quando ingressei na universidade foi a última vez que falei com minha mãe, em 1979. Sem contar nosso encontro no tribunal, a vi em três ocasiões. Uma delas era o funeral do meu pai. Em nenhuma das vezes falei com ela.
Qual foi o maior trauma para a senhora?
Eu não diria que ainda carrego traumas. Acredito que minha mãe é algo tão distante do meu passado que dificilmente me lembro do impacto que ela causou na minha vida. Mas minha maior dor era nunca ter vivido num lar decente. E saber que eu poderia ser uma péssima mãe no futuro como ela foi. Na verdade, não acredito que possa existir alguém pior do que minha mãe.
A senhora se submeteu a algumas cirurgias plásticas. Por quê?
Tive algumas dificuldades para aceitar minha aparência, provavelmente por causa dos problemas com minha mãe. Eu mudei o nariz, a boca, os olhos e os pés.
A senhora definiria sua mãe como tóxica?
Se isso significa ser incapaz de educar os filhos e fazer do lar um ambiente destrutivo, transformando a infância num período de medo, com certeza minha mãe é tóxica.
Acredita que cortar relações com pais abusivos é a melhor solução?
Uma das razões pelas quais me tornei bem-sucedida é justamente ter saído daquele ambiente ruim bem cedo. Alguns de meus irmãos e irmãs, que permaneceram na casa da minha família, não se realizaram como poderiam. Há muitos casos de crianças que quando adultos venceram na vida porque foram retiradas de ambientes negativos o quanto antes. É um erro acreditar que o fato de uma mulher dar a luz faz dela naturalmente uma boa mãe.
Como a senhora se sentiu quando soube que sua mãe estava a processando por causa do livro?
Assim que minha mãe descobriu que eu publicaria o livro sobre minha infância, ela tentou me impedir. Foi aos jornais dizendo que eu era uma mentirosa e que estava sendo vítima de uma maldade. Disse também que meu padrasto nunca havia encostado um dedo em mim, o que era mentira. Mas fiquei mesmo decepcionada foi com meus irmãos, que confirmaram o que minha mãe dizia. Isso porque uma das coisas que descobri, durante o julgamento, foi que ela abusou de outros filhos depois de mim. Arquivos do serviço social de Londres provam que minha mãe tentou colocar uma das minhas irmãs em um canil! Alegou que a menina era um cão! Como não conseguiu, botou minha irmã para fora de casa. No julgamento, ela negou. Mas os arquivos comprovaram.
O que seus filhos dizem sobre sua história?
Eles compreendem. Agora, eles sabem os detalhes e têm um enorme orgulho e respeito por mim. A mãe deles, que veio do nada, começou do zero e venceu, é uma inspiração.
Como é para a senhora ser mãe hoje?
Acredito que sou ótima mãe. Nunca bati nos meus filhos. Eles cresceram com espaço e apoio para se tornarem as pessoas que desejam ser.
Por que escolheu ser juíza?
Porque quero julgar as pessoas de maneira justa, sem preconceito.
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EM 16/09/2011 21:04:25
com certeza o melhor livo q ja li em toda minha vida tao emocionante q resolvi pesquisar mais sobre a autora,quando eu estava lendo parecia estar vivenciando tudo q ela passou é uma mulher de garra coragem .eu li e indico com todo prazer
Ulicio José de Andrade
EM 16/09/2011 16:28:39
O livro sem dúvida alguma mexe muito com a gente. Por mais que vejamos nos dia a dia, não queremos acreditar que existe mãe assim. O mais dificil é sair de uma situação como essa mulher, vitoriosa. Seus filhos deverão semprre ter muito orgulho da mãe.
Amanda Petinati
EM 10/09/2011 10:40:26
Estou ainda lendo o livro, e ja me tornei fã dessa mulher... Ela aguentava tudo calada e sofria muito com a mae dela e hoje ainda deve existir mães assim no mundo, eu tenho 16 anos e com essa história concerteza irei ver as coisas com outros olhos, realmente parabéns por ela ter lutado tanto.
Lídia Matos
EM 09/09/2011 19:41:48
Se não tivesse lido o livro não acreditaria que pudesse existir tamanha crueldade no coração de uma mãe. Justo mãe, que é simbolo de amor e carinho ser tão cruel, é quase inacreditável... Mas por fim ela venceu todas as adversidades e a admiro muito por hoje ela, Constance, ser o que é.
Dany
EM 09/09/2011 12:41:31
Nossa quando terminei de ler o livro ainda ficava me perguntando como era possível uma mãe fazer tamanha crueldade com um filho. Mas Constance é um exemplo de vida, eu no lugar dela faria a mesma coisa. Sempre oro pela vida dela. Beijos
