A Semana > Entrevista
|  N° Edição:  2123 |  16.Jul.10 - 21:00 |  Atualizado em 22.Mai.12 - 09:17

Alberto Goldman

"O governo federal é ineficiente"

O governador de São Paulo acusa a gestão do PT de retardar ampliação dos aeroportos paulistas

Mário Simas Filho e Natália Leão

 Ouça a entrevista com o governador Alberto Goldman dividida em quatro blocos:
 


Pedágios e seu uso na campanha eleitoral por Alckmin


Compromissos assumidos pelo estado para a Copa 2014


Relação entre o governo federal e o governo do estado


Pesquisas eleitorais que comparam Dilma e Serra 

 

 

 

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BICADA TUCANA
Para Goldman, no PT só restaram os que “mamam”

O governador de São Paulo, Alberto Goldman, diz que “não faltam macacos velhos” no PSDB para cuidar de articulações na campanha de José Serra à Presidência da República. Desta vez, ele, um dos mais experimentados articuladores da fauna tucana, garante que está fora. Goldman acha que o maior auxílio que pode dar a Serra “é governar”. Ao contrário de seu antecessor, ele chega cedo ao Palácio dos Bandeirantes e leva o expediente até as 22 horas. Não perde a chance de inaugurar nem recapeamento de estradas vicinais. “Aproveito e deixo claro que meu nome está na plaquinha, mas que a obra vem de antes...”, conta. Para os próximos meses, tem agenda cheia de inaugurações pelo interior paulista.

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"Mercadante não é bom nisso (discutir pedágios).
Ele só é bom de tro-ló-ló. Deveria se informar antes de dizer bobagens.
Isso é coisa de aloprado"

O relacionamento com o governo federal, segundo Goldman, tem sido tranquilo. Ele mantém “relações republicanas”, em especial com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, mas reclama da ineficiência dos petistas. Nesta entrevista de mais de uma hora à ISTOÉ, Goldman defendeu os pedágios paulistas e falou da carência de investimentos federais nos aeroportos e portos, já insuficientes para acompanhar o crescimento da economia paulista. Também garantiu que não colocará dinheiro do Estado na ampliação do estádio do Morumbi, mesmo que a capital acabe descartada para o jogo inaugural da Copa de 2014.

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"Não vamos colocar dinheiro público em estádio privado.
Se a Fifa não aceitar o Morumbi, não teremos a abertura da Copa"

 

 

 

 


 

Istoé -

Os pedágios paulistas viraram alvo de campanha e até o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, fala em rever esses valores. O que pode ser feito?

Alberto Goldman -

Ele falou em dois pedágios. O de Jaguariúna já foi uma decisão tomada pelo Serra antes de deixar o governo. E o de Indaiatuba, onde não podemos mudar nada agora.

Istoé -

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, sugere que sejam renegociados os contratos, pois as concessionárias estariam lucrando muito. Como o sr. interpreta isso?

Alberto Goldman -

Como piada isso é muito bom. Você vai chegar no empreendedor, que fez investimentos pesados durante anos e passou a primeira fase sem lucratividade nenhuma, e dizer que ele não ganha mais o que estava  combinado. Isso é impossível.

Istoé -

Não dá para aumentar o período da concessão?

Alberto Goldman -

Isso já foi feito para obras adicionais. Foi feito na Anhanguera, na Bandeirantes, na Castelo Branco. Não há mais espaço para isso. Prolongar trará um resultado nulo, basta fazer o cálculo. Mas o Mercadante não é bom nisso. Ele só é bom de tro-ló-ló. O Mercadante deveria se informar antes de dizer bobagens. Isso é coisa de aloprado.

Istoé -

O PSDB não tem interesse em discutir a questão dos pedágios?

Alberto Goldman -

A água, todos pagam, mesmo que não usem. A energia elétrica, o gás, o telefone também. A estrada é um serviço público, a diferença é que, se você não usa, não paga. Se baixar o pedágio, quem não usa a estrada também terá que pagar.

Istoé -

A abertura da Copa de 2014 será em São Paulo?

Alberto Goldman -

Temos um compromisso assumido. Garantiremos acessibilidade ao estádio do Morumbi. Vamos fazer uma linha de metrô que liga às demais redes já existentes, passando pelo aeroporto de Congonhas e com uma estação próxima ao estádio. Isso custará R$ 3,5 bilhões e ficará pronto até a Copa. São recursos do governo estadual e um empréstimo do governo federal.

Istoé -

E as questões como estacionamento, segurança...

Alberto Goldman -

Também assumimos o compromisso de ajudar a prefeitura com a reurbanização da área ao redor do estádio. Mas não podemos tratar do estádio em si por se tratar de um equipamento privado.

Istoé -

Mas o que tem feito a Fifa descartar o Morumbi são as reformas no interior do estádio.

Alberto Goldman -

Eles foram aumentando as exigências e hoje exigem obras que superam os R$ 600 milhões. O São Paulo só quer bancar até R$ 200 milhões. Então, não haverá alternativa.

Istoé -

Não é importante ter a Copa em São Paulo?

Alberto Goldman -

Se a Fifa não aceitar o Morumbi com obras menores, não teremos a abertura da Copa. Mas isso não significa que não teremos Copa, pois é importante para o Estado, para o País e também para a Fifa. Nesse caso, poderemos ter jogos no Parque Antarctica e até no Pacaembu.

Istoé -

E o Piritubão?

Alberto Goldman -

Isso não existe. É um projeto que nasce para ser um centro de exposições internacionais. Nesse projeto foi ampliado o escopo para viabilizar um negócio, um empreendimento comercial e se introduziu a ideia de uma arena para 40 mil pessoas. Mas é impossível fazer isso até a Copa.

Istoé -

A abertura da Copa está descartada?

Alberto Goldman -

Na próxima semana (dia 21) estarei com o presidente da CBF e vamos insistir para que eles aceitem o Morumbi, com as obras menores.

Istoé -

O governo não tem como fazer um estádio?

Alberto Goldman -

Não quero fazer um estádio. Não vou gastar R$ 1 bilhão para fazer um monstro desses onde já há estádios em abundância, que dificilmente ficam superlotados. Seria um famosíssimo elefante branco.

Istoé -

Mas existe gente interessada na construção de um novo estádio.

Alberto Goldman -

Parece. O Corinthians e o José Dirceu. Sempre tem um Zé Dirceu fazendo algum negócio. Quem diria, o meu Corinthians sendo utilizado por esses, esses... põe três pontinhos.

Istoé -

Como o governo federal tem tratado um governador tucano?

Alberto Goldman -

A relação é muito boa. Nossos contatos mais frequentes são com a Fazenda, e o ministro Guido Mantega tem conosco um tratamento absolutamente limpo, no chamado nível republicano. O problema não é no relacionamento. É na ineficiência deles em cumprir a parte que lhes cabe. O governo federal é ineficiente.

Istoé -

Em que áreas?

Alberto Goldman -

Aeroportos e portos, por exemplo. O mais grave ocorre com os aeroportos. Eles não conseguem resolver o problema. Não se mexem, não movem uma palha. Há anos cresce a demanda dos aeroportos de São Paulo de 10% a 13% ao ano. A situação é caótica e eles não conseguem sequer fazer a licitação do terminal 3 em Guarulhos desde 2007.

Istoé -

Mas o presidente Lula já anunciou inclusive a construção de um novo aeroporto em São Paulo.

Alberto Goldman -

O Lula e a Dilma anunciaram publicamente a construção do terceiro aeroporto na região metropolitana, o que tecnicamente me parece adequado. Mas isso foi logo depois do acidente com o avião da TAM, em 2007. Falaram e nada fizeram. Depois, disseram que Viracopos poderia ser esse terceiro aeroporto. Mas também não fizeram nada.

Istoé -

E o Estado o que fez?

Alberto Goldman -

Temos o projeto pronto, mas não podemos fazer porque o governo federal não autoriza.

Istoé -

O PSDB tem comemorado o fato de o Serra não cair nas pesquisas. Já não era hora de ele estar subindo?

Alberto Goldman -

O fato de a Dilma não ter crescido em cima dele é importante. O Serra agora precisa conquistar novos espaços, mas esta eleição é diferente.

Istoé -

Diferente como?

Alberto Goldman -

O presidente tem alta popularidade e a eleição acontece em um momento econômico muito favorável, ainda que meio aparente. Não é tão real quanto parece, mas ele parece...

Istoé -

Não é tão real?

Alberto Goldman -

Não há crescimento de investimento nem de produção industrial. Temos uma volta à época de país produtor primário, exportador de commodities. E as pessoas estão comprando muito mais, mas não têm um salário maior. Essa sensação de bem-estar do cidadão, que com o mesmo salário pode comprar mais, é real. O problema é saber o que vai acontecer no futuro com esse processo de endividamento. Os EUA um dia explodiram.

Istoé -

O Brasil corre esse risco?

Alberto Goldman -

Depende do quadro que vai se formar. Não é inevitável, mas corremos esse risco. O fato é que as pessoas podendo comprar mais sentem um alívio, e nada vai acontecer até outubro. Se não fosse tudo isso, a Dilma não estaria com 40%. Ela estaria disputando com o PSOL.

Istoé -

Falta discurso para o PSDB?

Alberto Goldman -

Se o Lula fosse candidato, não haveria disputa. Não adianta ser anti-Lula. Mas com o PT é diferente. Agora é possível explorar o antipetismo. O Lula é maior que o PT. A Dilma, não.

Istoé -

Isso não é trabalhar em cima do medo, o que não deu certo antes?

Alberto Goldman -

Não é a questão do medo. É uma postura contrária ao que o PT defende em seus princípios.  O Lula é o único sujeito capaz de dominar o PT. Isso ficou claro até na definição da candidatura. Com ele fora desse jogo, como esse processo se dará? Se hoje já há conflitos internos no governo, imagina o que acontecerá em um eventual governo da Dilma. Quando se fala do PT, não se está falando do medo, mas da postura.

Istoé -

Que postura?

Alberto Goldman -

O autoritarismo. A forma de tratar os direitos humanos, seja na política externa, seja internamente. O Lula trabalhou a questão do Estado como uma coisa fluida. Ele pode ser um liberal, que apoia empresas nacionais com dinheiro público de tudo quanto é lado e ao mesmo tempo trabalha com a ideia de um Estado forte. Ele consegue fazer esse jogo duplo.

Istoé -

Isso agrada a todos...

Alberto Goldman -

Com os sindicalistas, o que ele fez? Deu dinheiro, deu cargos. E os grandes empresários? E os bancos? Estão todos satisfeitos. Não sei se outra pessoa teria essa capacidade.

Istoé -

O PSDB precisa se fortalecer?

Alberto Goldman -

Sempre achei fundamental que houvesse partidos consistentes. O que vi nessas últimas décadas foi o contrário. No Brasil não há partidos consistentes. O PT era um partido, mas hoje eles não são absolutamente nada. São usufrutuários do poder.

Istoé -

O que acontecerá com o PT se a Dilma perder a eleição?

Alberto Goldman -

O partido desmorona. Eles perderam os grupos ideológicos mais rígidos e só sobrou o pessoal que mama. Concretamente é isso.

Istoé -

E se o Serra perder a eleição, o que acontece com o PSDB?

Alberto Goldman -

O PSDB passou por esse processo em 2002. Mas agora sairá um PSDB diferente. Em São Paulo, boa parte do partido tem a cara do Alckmin. As lideranças maiores, como Fernando Henrique, Serra e o próprio Covas, essas estarão fora.




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EM 21/07/2010 10:57:09

Olha lendo esses governantes , ficamos cada vez mais chateados, o governador de São Paulo disse que só paga pedágio quem usa as rodovias será que ele se esquece que meu alimento, o combustivel,etc que nós usamos usam as BR para transporta-lo? e que os pedágios eles buscam retorno nos contribuintes.


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