A Semana > Entrevista
|  N° Edição:  2104 |  09.Mar.10 - 18:24 |  Atualizado em 10.Fev.12 - 21:38

Constance Briscoe

"Acredito que sou ótima mãe"

Juíza inglesa conta em entrevista à ISTOÉ os motivos que a levaram a escrever o livro em que narra as agressões físicas e psicológicas que sofreu da própria mãe

Suzane G. Frutuoso

Confira abaixo a entrevista com a inglesa Constance Briscoe, de 52 anos, autora de "Feia - a história real de uma infância sem amor” (Ed. Bertrand). Após o lançamento do livro, a mãe da escritora, Carmen, tentou processá-la por causa da obra. Perdeu. 

Istoé -

Por que a senhora resolveu falar abertamente  sobre os abusos sofridos na sua infância?

Constance Briscoe -

Sempre pensei em escrever sobre minha história. A primeira vez que fiz isso foi quando meu filho mais velho nasceu, em 1987.
Mas nunca passei do primeiro capítulo. Na época, resolvi apenas tocar a vida. Depois, escrevi porque gostaria que meus filhos conhecessem mais sobre minha luta e que eu não tinha vergonha do meu passado. Ao mesmo tempo, não desejava criá-los sob o estigma de uma mãe que sofreu abusos. Eles nunca poderão dizer que falharam na vida porque a mãe deles teve uma vida difícil.

Istoé -

Quantos anos a senhora ficou sem falar com sua mãe?

Constance -

Quando ingressei na universidade foi a última vez que falei com minha mãe, em 1979. Sem contar nosso encontro no tribunal, a vi em três ocasiões. Uma delas era o funeral do meu pai. Em nenhuma das vezes falei com ela.

Istoé -

Qual foi o maior trauma para a senhora?

Constance -

Eu não diria que ainda carrego traumas. Acredito que minha mãe é algo tão distante do meu passado que dificilmente me lembro do impacto que ela causou na minha vida. Mas minha maior dor era nunca ter vivido num lar decente. E saber que eu poderia ser uma péssima mãe no futuro como ela foi. Na verdade, não acredito que possa existir alguém pior do que minha mãe.

Istoé -

A senhora se submeteu a algumas cirurgias plásticas. Por quê?

Constance -

Tive algumas dificuldades para aceitar minha aparência, provavelmente por causa dos problemas com minha mãe. Eu mudei o nariz, a boca, os olhos e os pés.

Istoé -

A senhora definiria sua mãe como tóxica?

Constance -

Se isso significa ser incapaz de educar os filhos e fazer do lar um ambiente destrutivo, transformando a infância num período de medo, com certeza minha mãe é tóxica.

Istoé -

Acredita que cortar relações com pais abusivos é a melhor solução?

Constance -

Uma das razões pelas quais me tornei bem-sucedida é justamente ter saído daquele ambiente ruim bem cedo. Alguns de meus irmãos e irmãs, que permaneceram na casa da minha família, não se realizaram como poderiam. Há muitos casos de crianças que quando adultos venceram na vida porque foram retiradas de ambientes negativos o quanto antes. É um erro acreditar que o fato de uma mulher dar a luz faz dela naturalmente uma boa mãe.

Istoé -

Como a senhora se sentiu quando soube que sua mãe estava a processando por causa do livro?

Constance -

Assim que minha mãe descobriu que eu publicaria o livro sobre minha infância, ela tentou me impedir. Foi aos jornais dizendo que eu era uma mentirosa e que estava sendo vítima de uma maldade. Disse também que meu padrasto nunca havia encostado um dedo em mim, o que era mentira. Mas fiquei mesmo decepcionada foi com meus irmãos, que confirmaram o que minha mãe dizia. Isso porque uma das coisas que descobri, durante o julgamento, foi que ela abusou de outros filhos depois de mim. Arquivos do serviço social de Londres provam que minha mãe tentou colocar uma das minhas irmãs em um canil! Alegou que a menina era um cão! Como não conseguiu, botou minha irmã para fora de casa. No julgamento, ela negou. Mas os arquivos comprovaram.

Istoé -

O que seus filhos dizem sobre sua história?

Constance -

Eles compreendem. Agora, eles sabem os detalhes e têm um enorme orgulho e respeito por mim. A mãe deles, que veio do nada, começou do zero e venceu, é uma inspiração.

Istoé -

Como é para a senhora ser mãe hoje?

Constance -

Acredito que sou ótima mãe. Nunca bati nos meus filhos. Eles cresceram com espaço e apoio para se tornarem as pessoas que desejam ser.

Istoé -

Por que escolheu ser juíza?

Constance -

Porque quero julgar as pessoas de maneira justa, sem preconceito.
 




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Narcisa Tamborindeguy 10.Fev.2012
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Laura Gomes

EM 04/01/2012 19:01:05

Tem 14 anos e comecei a ler o livro por recomendação de amiga minha,na verdade me interesse a fundo na historia da Constance,o livro é uma mistura de ódio,revolta e sucesso!Acho que todos deveria levar a vida dela como exemplo para si mesmo. Superação isso que esse quer dizer,recomendo sempre!


Remersson

EM 20/12/2011 14:15:21

Simplesmente achei o livro incrível, na verdade, foi o melhor livro que já li! Me emocionei várias vezes ao decorrer da leitura. Tenho o maior respeito por Constance Briscoe. Espero um dia conhece-la, quem sabe até tomar uma xícara de chá.


Vivianne Galdino

EM 11/12/2011 17:37:11

Adorei o livro, é realmente muito triste, mas motivador ao mesmo tempo! A Carmen é uma monstra, queria cobrar aluguel da filha sendo que o pai dela paga pensão de TODAS as filhas, quando cheguei no final do livro me revoltei com o fato da Carmen ter processado ela ... Sem comentários essa mãe.


darla

EM 11/12/2011 15:48:43

li o livro a feia que estava no aservo de minha escola,quando comecei a ler a primeira pagina me emocionei e fiquei com muita raiva,ainda nao acredito que possa existir mães que fazem isso com seus filho terminei de ler o livro em menos de 2 dias acredito que constante foi muito corajosa...


Jane

EM 09/12/2011 10:15:47

Acabei de ler o livro " Feia", sensacional, uma história comovente. Por isso procurei saber mais sobre a autora e sobre sua história.


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