A Semana > Entrevista
|  N° Edição:  1543 |  28.Apr.99 - 10:00 |  Atualizado em 25.Oct.14 - 00:09

Denise Tacto

Doces vitórias

Fortalecida com a tutela definitiva de Gerson Brenner, a bailarina Denise Tacto comemora os progressos do marido e promete colocá-lo de pé

KÁTIA STRINGUETO

A bailarina Denise Tacto, 27 anos, mulher do ator Gerson Brenner, 39, anda tão feliz que sua alegria contagia quem dela se aproxima. Tanta felicidade tem duas razões. Há um mês, ela conseguiu a tutela definitiva do marido, depois de uma briga ferrenha contra a família do ator. A disputa pela tutela de Brenner começou assim que o ator deixou o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, vítima de um grave traumatismo craniano depois de ter levado um tiro na cabeça durante um assalto, em agosto do ano passado, enquanto trocava um pneu na rodovia Ayrton Senna.

O conflito durou oito meses, com direito a golpes duros como a exigência feita pelos pais e pela irmã de Brenner de que o ator fizesse um teste de DNA para comprovar que era mesmo o pai de Vitória, filha do casal que nasceu logo após o acidente. A luta, é verdade, ainda não terminou porque a família poderá apelar na Justiça. O processo só acaba quando a família desistir de entrar com recursos contra Denise ou quando o Brenner conseguir expressar sua própria vontade. O segundo motivo – e o mais gratificante para o ânimo de Denise – é a surpreendente evolução do ator ao longo desses meses. Depois de deixar o hospital ainda bastante debilitado, ele já é capaz de comer sozinho com a mão esquerda, de ler frases curtas e de responder a algumas perguntas de Denise. Numa rotina que mistura fisioterapia, massagens e sessões de sexo, o casal, que está junto há três anos, parece ter encontrado uma forma de enfrentar as circunstâncias sem perder a ternura. Durante a entrevista concedida a ISTOÉ na nova casa que Denise alugou em São Paulo, as demonstrações de carinho ficaram evidentes. Com o braço esquerdo – o que tem mais força – Brenner puxava a mulher para seu colo, numa brincadeira de namorados. Além disso, é para Denise que Brenner reserva os melhores sorrisos. E ela responde à altura. "Meu marido não é doente. Seu corpo, seu coração são perfeitos. Vou colocá-lo de pé."

Istoé -

Como você recebeu a notícia da tutela definitiva de Brenner?

Denise Tacto -

Foi um alívio. Agora posso fazer as coisas mais tranquila, sem medo de perdê-lo. Enquanto tinha a tutela provisória e a família do Gerson estava sempre recorrendo, sentia muita insegurança. Não sabia se no dia seguinte não estaria dormindo mais com o meu marido. Nunca sabemos o que se passa na cabeça de juiz. Apesar de estar em ordem com minhas obrigações judiciais.

Istoé -

Que obrigações são essas?

Denise Tacto -

A cada três meses tenho que prestar contas da movimentação que faço do dinheiro do Gerson. Também tenho que zelar pelos bens dele (um apartamento no Rio de Janeiro, um carro e duas motos). Por exemplo, mando lavar as motos, mandei consertar uma que estava com o carburador ruim, paguei as multas. Tudo isso faço com o salário que o Gerson recebe da Globo.
 

Istoé -

Quanto é?

Denise Tacto -

R$ 4 mil, mas tem alguns descontos. Dá para pagar os R$ 500 de condomínio do apartamento no Rio, as contas de luz, água e faxineira, além dos quase R$ 2 mil em comida – o Gerson tem uma dieta de 2.600 calorias elaborada por uma nutricionista – e a pensão da outra filha dele, que mora com os avós paternos. Mês passado depositei R$ 1.360. Quando voltar a trabalhar, até vou ajudar os pais do Gerson, como ele fazia.

Istoé -

Qual a reação de Brenner à briga entre você e a família dele?

Denise Tacto -

Ele não gosta. Chora quando vê na tevê e me abraça. O Gerson botava um tapete vermelho para eu passar. Imagina eu grávida, com uma barriga que ele amou oito meses e ter que fazer um exame de DNA para provar que a filha era dele.
 

Istoé -

Como foi isso?

Denise Tacto -

Fui pega de surpresa. Para eu não ganhar a tutela do Gerson, os pais e a irmã dele usaram três argumentos: de que não éramos casados há cinco anos, e por isso eu não poderia ser considerada esposa dele, que não poderia ser considerada companheira também porque estava com ele havia menos de três anos. Mas o que pegou mais pesado foi o de que Gerson poderia não ser o pai legítimo da criança. E, como ele não tinha meios de se manifestar, fiz o teste de DNA, que a Globo pagou – a Globo ainda paga a fonoaudióloga, a fisioterapeuta, os dois enfermeiros que cuidam do Gerson e fez um acordo com a Home Doctor (empresa especializada em cuidados médicos que forneceu uma cama especial para Gerson), que também está ajudando.
 

Istoé -

Como está o relacionamento com a família?

Denise Tacto -

Não guardo rancor. Entram em casa à hora que querem. A mãe dele traz um bolinho e agradece o que estou fazendo pelo Gerson. Porque ela sabe que tenho mais condições de ajudá-lo. Estou morando em São Paulo por causa deles, estou pagando aluguel por causa deles para que eles fiquem perto do Gerson. Poderia estar na minha casa no Rio, junto com minha outra filha, Juliana, de seis anos, que mora com o pai.
 

Istoé -

A relação entre vocês sempre foi tumultuada?

Denise Tacto -

Eles implicavam com todas as mulheres em volta do Gerson. Imagino até como deva ser, filho famoso, querido, bonitão. Também há o fato de que ele foi lesado financeiramente no último casamento (a ex-mulher falsificou cheques dele e abandonou a filha). Entendo a família por esse lado, mas não entendo por que jogaram pedra numa pessoa que nunca tinha feito nada de mau a ele. Além disso, acho que todos nós deveríamos pensar com a cabeça do Gerson. Eles podiam me odiar, mas não era o que Gerson sentia. Deveriam pensar no que é bom para ele. Ele queria ficar comigo. Teve um dia que o Pagura (Jorge Pagura, neurocirurgião que atendeu Brenner no hospital e continua acompanhando o caso) chamou a família numa sala e falou: "Não adianta, ela é importante para ele. Vocês querem vê-lo bem, deixem ela com ele."

Istoé -

Brenner teve de tomar antidepressivo por causa dessa briga?

Denise Tacto -

Não. O antidepressivo é para ele não se entregar. Tentei poupá-lo. Nunca disse "olha o que estão fazendo com a gente". Mas ele via e ficava do meu lado. Se ele não estivesse gostando do que estava acontecendo, teria demonstrado. Como fez com a família, com quem ficava nervoso. Comigo ele sempre sorria e me abraçava.
 

Istoé -

Como é a rotina dele desde que está com você?

Denise Tacto -

 Ele acorda às 10h, toma café, faz a sessão de fisioterapia, vai para o banho, o enfermeiro faz a barba para ele. Depois, almoça, faz a sessão de fonoaudiologia, toma um pequeno lanche e faz a fisioterapia de novo. Uma vez por semana, ainda faz massagem e acupuntura. E a cada 15 dias ele faz pedicure e manicure. No final de tarde, é a minha vez de entrar em campo. É a fono de casa, a fisio de casa.
 

Istoé -

Que tipo de atividades você faz com Brenner?

Denise Tacto -

 Entro no quarto, que tem uma enorme janela e uma varanda para ele tomar sol, e brinco: "Vai ficar vendo aquelas loiras ali com os peitões na janela?!! Vou te dar porrada!!" Ele ri com as minhas brincadeiras. E participa delas. Comprei um apito para ele soprar quando vê uma mulher bonita. Nesse movimento ele aprende a soltar o ar, que é importante para a voz.
 

Istoé -

Quais foram seus maiores progressos?

Denise Tacto -

 Percebo uma consciência cada vez maior. À noite é a hora que ele mais fala. Talvez porque deu uma cochilada à tarde e os neurônios estão descansadinhos. Brinco que ele só tem dois, o Tico e o Teco, como ele falava quando eu pintei o cabelo de loiro. Estava grávida e ele colocava uma mão na minha cabeça e a outra na minha barriga e falava "olha que lindo, um neurônio da mãe, outro da filha".

Istoé -

Ele demonstra saber quem é?

Denise Tacto -

 Ontem perguntei se ele sabia qual a primeira novela que fez. E ele respondeu sozinho: Rainha da sucata. Na hora em que ele falou, segurei aquela emoção e continuei: "E qual era o nome do seu personagem?" De novo, ele respondeu: "Gerson." Aí fiquei alegre, quis saber quem ele namorava na história. Comecei falando Maria e ele completou: "do Carmo", depois eu disse que era a Regina e ele continuou: "Duarte".
 

Istoé -

Brenner também se lembra de fatos recentes?

Denise Tacto -

Percebo que sim. Sábado, por exemplo, vieram dois comediantes aqui em casa. E quando a gente  comenta: "Puxa, você lembra dos caras, Gerson? Você viu como eles eram engraçados imitando o Robocop?", ele ri.
 

Istoé -

Você trouxe os comediantes?

Denise Tacto -

Sim. Tudo que vejo e acho legal para animar o Gerson peço para irem até a minha casa, na cara-de-pau.
 

Istoé -

Quem mais você já trouxe?

Denise Tacto -

 Vários amigos dele: o Oscar Magrini, a Dani (Danielle Winits), a Sheila do Tchan. Pedi para ela dançar e falava para o Gerson olhar o "tchan" dela. E o safado olhava para a bunda dela toda vez que ela virava.
 

Istoé -

São recursos para estimular todos os sentidos?

Denise Tacto -

 São. Primeiro mudamos para essa casa há cerca de três semanas, que é maior e pode acomodar melhor o Gerson. Agora estou colocando um elevador para ele descer do quarto e poder almoçar na mesa da cozinha, assistir à televisão na sala de tevê e, mais para frente, vou colocar os aparelhos para ele fazer a fisioterapia.
 

Istoé -

Por enquanto Brenner não sai do quarto?

Denise Tacto -

 Muito pouco. De vez em quando damos umas voltinhas com ele na rua ou de carro, para ver a cidade. Mas tenho receio da exposição. Em geral, ele fica no nosso quarto. Faz a fisioterapia, come, assiste à tevê. Também o levamos na cadeira de rodas até o quarto da Vitória. Aproveito e falo que a moleza vai acabar, que estou segurando a onda, mas que depois eu é que vou posar de princesa com a Vitória e ele é que vai trabalhar.

Istoé -

Os médicos falaram que só depois de seis meses poderiam arriscar um palpite sobre as sequelas. Esse prazo já passou. O que eles dizem agora?

Denise Tacto -

 O Pagura me explicou que quando a pessoa não evolui nesses meses, fica muito limitada. Mas no caso do Gerson, que apresenta reações cada vez maiores, a tendência é não parar mais de melhorar. É um sinal de que o cérebro respondeu logo em seguida ao trauma. Então, só vai para frente.

Istoé -

Ele é capaz de falar uma frase inteira?

Denise Tacto -

Só quando o estimulamos. Por exemplo, ele ainda não controla o xixi, e ainda usa fraldas. Então, às vezes, eu falo: "Gerson, você fez xixi, por que não pediu? Como é que tem que falar?" Aí começo a frase Eu... e ele termina... quero fazer xixi.

Istoé -

Até onde você acha que Brenner poderá chegar?

Denise Tacto -

 Ele ficará com algumas limitações. A parte direita do corpo não se move e a fala está bastante difícil. Mas os recursos de reabilitação estão cada vez mais avançados. Um amigo viu na Internet que tem uma clínica em Israel que faz enxerto de neurônios. Parece que as células são retiradas de um feto, multiplicadas em laboratório e implantadas na pessoa que teve a lesão. E a recuperação é de 100%. Daqui a dois anos pode ser que tenha uma clínica dessas no Brasil. É uma esperança.
 

Istoé -

E os assaltantes, você tem acompanhado o que aconteceu com eles?

Denise Tacto -

 Eles aguardam julgamento, na prisão preventiva. É tudo o que sei.

Istoé -

Qual o relacionamento de Brenner com Vitória?

Denise Tacto -

Ela é um grande estímulo para ele. Gerson a segura no braço esquerdo e fica olhando, beijando. Aí eu pego o braço direito e coloco em cima. "Esse braço também é seu."
 

Istoé -

Como ficou o amor de vocês?

Denise Tacto -

Sinto falta dele. Quero estar sempre por perto. Se ele estivesse na casa dos pais minha vida teria acabado mais ainda. É o meu destino, e vou encará-lo com garra. O sentimento aumentou. Antes, ia no shopping tomar algo com uma amiga sem nenhuma preocupação. Depois ligava para ele e pedia para ir me buscar. Hoje, saio de olho no relógio.
 

Istoé -

E sexualmente?

Denise Tacto -

Deus existe e o Gerson é um cara de sorte. Toma dois remédios para convulsão, que são fortíssimos e prejudicam o desempenho sexual, mas tem ereção e ejaculação normais. A única diferença é que nas nossas relações sou eu que trabalho mais.

Istoé -

Seu modo de lidar com essa situação surpreende. Você nunca teve depressão?

Denise Tacto -

 Nunca. Os médicos esperavam que fosse ter depressão pós-parto. Quando a Vitória nasceu ela foi para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) porque tive descolamento de placenta e ela engoliu sangue. Foi o pior dia da minha vida. Ela em uma UTI e o Gerson na outra.
 

Istoé -

Desde o acidente, qual o momento mais compensador?

Denise Tacto -

 Quando o Gerson veio para a minha casa (começa a chorar). Ele estava longe de mim. Eu amamentava a Vitória, tinha que ir para a casa dos pais dele, voltar para casa. As enfermeiras falavam que ele ficava esperando eu chegar. Quando os dois ficaram do meu lado me senti mais tranquila.
 

Istoé -

Brenner já manifestou algum desejo em relação ao futuro?

Denise Tacto -

Ainda não. Mas estou feliz de vê-lo melhorando. E feliz de ver as pessoas me ajudando a colocá-lo para frente. Agora, estamos organizando um show para Gerson. Será no Anhembi, em São Paulo, e a data estamos estudando com a Globo. O nome será A vida continua. Amigos de Gerson Brenner. Ele vai surgir no palco, com uma faixa contra a violência. É uma iniciativa para conseguir fundos para comprar aparelhos necessários para a segunda fase da fisioterapia. Depois que ele estiver bem, vou doar os aparelhos ou até transformar essa sala em uma instituição. Ele vai ficar louco vendo tudo aquilo do palco. E sentirá mais vontade ainda de melhorar.
 




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