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|  N° Edição:  2211 |  23.Mar.12 - 21:00 |  Atualizado em 19.Apr.14 - 17:33

Eduardo Braga

"Políticos confundem o certo e o errado"

Líder do governo no Senado, Eduardo Braga diz que o toma lá dá cá está com os dias contados e promete marcar uma nova fase na relação do Executivo com os partidos aliados baseada na eficiência

por Delmo Moreira e Sérgio Pardellas

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NOVOS MÉTODOS
Braga promete qualificar a interlocução com o Congresso

O senador Eduardo Braga (PMDB-AM) assume a liderança do governo no Senado no momento mais turbulento da relação do governo com o Congresso desde o início do mandato da presidenta Dilma Rousseff. Mas a árdua tarefa de serenar os ânimos dos aliados e restabelecer a interlocução do Palácio do Planalto com os partidos da base de sustentação do governo é apenas um de seus objetivos à frente do novo cargo. Orientado pela presidenta, Braga empunha a bandeira das boas práticas políticas e, para implementar o que chama de “novo conceito de governabilidade”, com base em projetos, eficiência da gestão e meritocracia, está disposto a bater de frente com os caciques dos partidos acostumados ao velho e surrado toma lá dá cá da política brasileira.

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"Nunca fui vítima de chantagem. O que eu posso dizer é que,
com a presidenta Dilma, esse não é um caminho admissível"

As demandas dos partidos, assegura o novo líder do governo, continuarão sendo atendidas, desde que condizente “com parâmetros éticos”. “O que é certo é certo, o que é errado é errado. O povo brasileiro sabe distinguir isso com a maior clareza. Nós, políticos, é que às vezes confundimos esses limites”, reconhece. E, apesar das pressões dos dirigentes partidários, ele garante não estar preocupado com a contabilidade dos votos no painel eletrônico. Para o político amazonense, a governabilidade não corre riscos. “Ao adotar essa postura, o governo vai agradar a inúmeros parlamentares que enxergam isso. Estou muito otimista que vamos alcançar a maioria qualificada do Congresso Nacional.” 

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"Procurei o companheiro Blairo Maggi, meu amigo
pessoal, e acho que vamos ter no futuro um novo momento"

Istoé -

 Como o sr. recebeu o convite e o que representou a ida do sr. para a liderança do governo no Senado?

Eduardo Braga -

Recebi o convite com um grande desafio e muita humildade, pois creio que teremos que calçar as sandálias da humildade nessa interlocução. Mas, sobretudo, com muita vontade de contribuir para esse projeto que vem transformando o Brasil. Acho que o País tem demonstrado uma transformação econômica, social, de políticas públicas, mas precisa ter essas grandes transformações também demonstradas nas boas práticas políticas e nas relações institucionais da nossa democracia. E vejo nesse movimento que a presidenta Dilma Rousseff avança a oportunidade de marcar uma nova era nas práticas e no modo de operação da política brasileira.
 

Istoé -

Quais más práticas ficam para trás? 

Eduardo Braga -

Precisamos entender que um país que é a sexta economia do mundo, que cria uma migração social tão poderosa como a que foi criada desde o governo Lula para cá, e implementa uma multiplicação de políticas públicas na saúde e educação, por exemplo, precisa estabelecer um conceito de governabilidade que não seja o toma lá dá cá. Que seja fundamentado em projetos e programas e que as consequências da implementação deles representem a chegada de companheiros ao governo por indicações dentro de um contexto, representem a liberação de recursos para implementação desses programas dentro de um conceito. Assim, haveremos de diminuir cada vez mais as desigualdades e emprestar a meritocracia à administração pública brasileira e à política brasileira.
 

Istoé -

O toma lá dá cá está com os dias contados?
 

Eduardo Braga -

Sim. Está em processo de acabar. Um país que tem uma classe média cada vez mais dominante, impactante e influente na política nacional possui uma sociedade que tem demandas muito mais refinadas e complexas que precisam de instrumentos democráticos muito bem avaliados. Isso não acontece da noite para o dia, mas tem uma data para início. Creio que, neste momento, o Brasil está pronto para dar os primeiros passos nessa direção.
 

Istoé -

O seu partido, o PMDB, está pronto para isso?
 

Eduardo Braga -

Creio que sim. O PMDB vem de movimentos muito importantes no Brasil. Ninguém pode tirar do PMDB o papel que ele teve na redemocratização do País. Ninguém pode desconhecer o papel importante do Ulysses Guimarães nem os méritos do José Sarney, que conduziu com muita firmeza o processo de transição democrática. Do ponto de vista partidário, o PMDB tem abrangência nacional e representatividade em todas as regiões do País. Não é dos paulistas, nordestinos, nortistas ou gaúchos. E, embora seja um partido muito grande, com suas complicações, o PMDB tem muitos valores e muitas pessoas que pensam como nós e como a presidenta Dilma Rousseff em relação à transformação do Brasil.
 

Istoé -

É possível acabar com o toma lá dá cá sem colocar em risco a governabilidade? De que maneira o governo pretende agir para não ficar refém de caciques no Congresso, como ocorreu durante a votação que barrou a recondução do ex-diretor Bernardo Figueiredo à ANTT?
 

Eduardo Braga -

Tenho que separar os dois movimentos. Não podemos misturar a questão Bernardo Figueiredo com o que falamos anteriormente sobre a adoção de novas práticas políticas. É preciso entender que a votação do Bernardo Figueiredo talvez tenha representado um momento de represamento de demandas não resolvidas no Senado. Isso aconteceu, a vida continua, a governabilidade está posta, já tivemos outras votações depois disso e o governo ganhou, e haverá outras votações que o governo haverá de ganhar. O que nós estamos falando é de novos paradigmas, parâmetros e o que pretendemos é fazer com que os recursos públicos estejam cada vez mais contextualizados dentro de um programa e projeto. A emenda parlamentar não é algo pejorativo. Ela só não pode inverter a ordem dos fatores.
 

Istoé -

Como fazer isso na prática?
 

Eduardo Braga -

As emendas precisam vir dentro de um projeto e da eficiência da gestão. Muitos dos nossos problemas na saúde, educação e segurança decorrem de falta de gestão, não somente da falta de recursos. A eficiência na gestão passa pela meritocracia na administração pública. É preciso entender o desafio que o Brasil está propondo a si próprio e à classe política.
 

Istoé -

Ao adotar essa nova postura, o governo tem a consciência de que vai desagradar a alguns setores e determinados políticos que têm voto no Congresso. O governo está preparado para esse embate?
 

Eduardo Braga -

Prefiro ver pelo outro lado da moeda. Ao adotar essa postura, o governo vai agradar a inúmeros parlamentares que enxergam isso, querem participar desse movimento, buscam uma interlocução ampliada para poderem ser efetivos nesse movimento. E nós não queremos separar, dividir ou desagregar. Queremos ser inclusivos e unir. Unir em torno das velhas práticas? Não. Em torno das boas e novas práticas que a presidenta Dilma está implementando. Vamos adotar as boas práticas políticas.
 

Istoé -

As demandas dos partidos aliados que sempre irão existir serão resolvidas de que forma, a partir desse novo modelo que está sendo proposto?
 

Eduardo Braga -

Aquilo que estiver dentro dos parâmetros estabelecidos por esse modelo será atendido. O governo está estabelecendo limites naquilo que nós entendemos que são boas práticas.
 

Istoé -

E qual o limite da presidenta Dilma? 

Eduardo Braga -

É o da responsabilidade com a população, com o benfeito e o compromisso de transformar o Brasil numa potência com responsabilidade social para o seu povo.
 

Istoé -

Se algum partido condicionar a sua permanência na base de sustentação do governo ou condicionar o apoio a determinado projeto do Executivo à mudança de um ministro, por exemplo, ou à acomodação de determinado político em algum cargo, qual será a resposta do governo?
 

Eduardo Braga -

Se estiver dentro dos parâmetros éticos, programáticos do governo e dentro do projeto aprovado pelo povo nas urnas que elegeu a presidenta Dilma Rousseff, não haverá razão para não haver a interlocução. O que é certo é certo, o que é errado é errado. O povo brasileiro sabe distinguir isso com a maior clareza. Nós, políticos, é que às vezes confundimos esses limites.
 

Istoé -

O que a presidenta Dilma não aceita mais é chantagem? 

Eduardo Braga -

Não uso essa palavra. Nunca fui vítima de chantagem. O que eu posso dizer é que, com a presidenta Dilma, esse não é um caminho admissível.  

Istoé -

O bloco de descontentes não tem uma coleção de maldades para fazer contra o governo no Congresso?
 

Eduardo Braga -

Não creio. A presidenta tem deixado claro que ela não tem nenhum tipo de compromisso com o malfeito. Pelo contrário. Quando a imprensa identifica algum malfeito e denuncia, os órgãos apropriados avaliam e ela é informada, a presidenta toma providências. Tem feito isso independentemente de partido e de quem quer que seja. Ela não tem motivo para ficar preocupada com algum tipo de confrontamento em relação a essa questão. No outro sentido, o da governabilidade, o governo está cada vez mais robusto e em condições de implementar as políticas públicas, seja pelos aspectos macroeconômicos, seja pelos instrumentos de governabilidade e governança que o governo já dispõe. E estou muito otimista que vamos alcançar a maioria qualificada e substantiva do Congresso Nacional com diálogo, paciência, humildade e demonstrações firmes. Mas, ao mesmo tempo, com bastante ternura e tranquilidade.  

Istoé -

O descontentamento de figuras de seu partido, como Renan Calheiros e Romero Jucá, não pode gerar problema para o governo, dada a força deles no Congresso?
 

Eduardo Braga -

Não consigo ver esse descontentamento. Tive conversas francas com o senador Jucá, tenho conversado com o líder Renan. Tenho buscado entendimento sobre essas boas práticas com o líder Renan, e a própria presidenta Dilma teve conversas com o líder Renan. Tenho dito, dentro do PMDB, que estamos muito comprometidos em implementar essa política que a presidenta Dilma quer desafiar todos nós a fazer pelo Brasil.
 

Istoé -

Além da Lei Geral da Copa e do Código Florestal, quais são os maiores interesses do governo no Congresso hoje?
 

Eduardo Braga -

Tem a questão da Previdência, que cria novos fundos de pensão para os servidores. Foi votado na Câmara e vem para o Senado. Não teremos problemas maiores, embora possam surgir alguns questionamentos pontuais. Mas todos sabem que é necessário para o País, senão nunca vamos sair dessa armadilha. 

Istoé -

A julgar pela temperatura no Congresso, a votação do Código Florestal não será fácil.
 

Eduardo Braga -

É uma matéria polêmica, mas não precisa ter açodamento. Pode ter ajustes pontuais e o governo está consciente disso.
 

Istoé -

Como vocês pretendem fazer para o PR voltar para a base de apoio ao governo?
 

Eduardo Braga -

Depende do PR, não de nós. Procurei o companheiro Blairo Maggi, que é meu amigo pessoal, e acho que vamos ter no futuro um novo momento. Agora, as discussões, as negociações e a interlocução estão paralisadas em razão de uma posição adotada pelo PR, e não pelo governo. 




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Felipe Massa 11.Abr.2014

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EM 20/01/2014 06:08:47

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Eiilyn

EM 28/04/2012 01:04:24

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Lopes

EM 30/03/2012 15:07:04

Se o Excelentíssimo Senador, ao lado da nossa Presidenta e do novo líder do Governo na Cãmera conseguir mudar este paradigma. Estaremos prontos para uma nova etapa do desenvolvimento de nosso País.


WANDERLY BARROZO

EM 28/03/2012 00:17:26

Excelente entrevista. O Senador está bem consciente dos problemas reais do Congresso e demostra ter habilidades e competência pra colaborar eficazmente pela melhoria da política do nosso pais. Boa Sorte, Senador. Que Deus te ilumine!!!


Felipe

EM 27/03/2012 11:46:38

A proposta me parece muito boa, mas me parece que o senador Eduardo Braga está sendo otimista demais! Todos sabemos que o congresso que ele vai enfrentar não é esse que ele está pintando nessa reportagem. O tempo nos dirá!