A Semana > Entrevista
|  N° Edição:  2153 |  11.Feb.11 - 21:00 |  Atualizado em 01.Sep.14 - 14:38

José Luiz Datena

"Adoraria ter um infarto e empacotar agora"

Apresentador diz que quer morrer, assume a culpa pelo envolvimento do filho com drogas e conta que foi alcoólatra e infiel

Rodrigo Cardoso

Após a publicação da entrevista, Datena se queixou ao jornal Metro sobre a interpretação dada a uma de suas respostas. Clique no player abaixo e ouça o trecho questionado pelo apresentador:

 
 

Em vídeo, reunimos algumas das cenas mais polêmicas protagonizadas pelo apresentador com fama de casca-grossa. Confira!

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ELE GRITA E FALA GROSSO
Até as crianças têm receio de pedir para
fotografar ao seu lado: “Sou um bruto
que procura a lapidação”
 

Rude, grosseiro, irascível, polêmico... A série de adjetivos associada ao apresentador José Luiz Datena segue essa linhagem pouco amistosa. Sua coleção de inimigos que o diga – a briga mais recente foi com Ronaldo Fenômeno. Pessoa do tipo ame ou odeie que há 12 anos atingiu a notoriedade no comando de programas pautados na exploração da violência e na espetacularização da desgraça alheia, esse paulista de Ribeirão Preto vai mais longe: “Acho que sou louco”, diz em entrevista recheada de palavrões. De origem humilde, Datena construiu uma carreira que inclui a liderança de audiência de um canal aberto e um salário mensal de R$ 500 mil. Aos 53 anos, o apresentador, por sua vez, faz uma autocrítica rigorosa de sua trajetória. Há 33 anos casado com Matilde, diz que foi mulherengo. Pai de cinco filhos, assume ter sido ausente. Pior: culpado pelo vício de drogas de um deles. Mas hoje diz ter o sentimento de missão cumprida. Datena iniciou a carreira como repórter esportivo. Na Band, além do “Brasil Urgente”, ele apresenta o “SP Acontece”, na hora do almoço. Na rádio Bandeirantes, de manhã, está à frente do “Manhã Bandeirantes”.

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"Já fui uma máquina no sexo, hoje faço duas
vezes por semana. Sou nota 4. De vez em
quando, dou uma brochada. Aí, tomo Viagra"

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“Tenho seis carros e não dirijo nenhum. Comprei
um Audi R8 (R$ 555 mil). Três meses depois, dei área nele"

 

 

 
 

 

Istoé -

 Por que tatuou Cristo no antebraço?

José Luiz Datena -

 Tive de passar por uma cirurgia, há cinco anos, por conta de um tumor no pâncreas e foi cortado metade do meu pâncreas e extraído o baço. Os caras (médicos) me salvaram a vida, mas me f... pra c... Tomei morfina e o c... Tatuei porque os caras lá de cima me ajudaram mais ainda. Eu tinha certeza de que iria morrer. Ao acordar da operação, vi um p... rasgo na barriga, sonda em todos os orifícios. Foi uma operação de 12 horas, perdi 25 quilos em dez dias, um negócio.

Istoé -

 E até hoje o sr. faz algum acompanhamento?

José Luiz Datena -

 Nunca mais entrei no hospital. Teria de fazer exames a cada seis meses. Fui para o hospital sem ter p... nenhuma e os caras cortaram metade da minha barriga, quase morri, a minha qualidade de vida piorou pra c..., a minha libido. Só vou para hospital se estiver desmaiado. Fujo para c...! Mas preciso operar uma hérnia. Ela apareceu porque voltei a trabalhar com o dreno pendurado. No buraco do dreno nasceu a hérnia.

Istoé -

 Não tem medo de morrer?

José Luiz Datena -

 Adoraria ter um infarto e empacotar agora. Se Deus me perguntasse se eu preferiria morrer hoje de noite ou viver mais 30 anos, eu escolheria a primeira. Porque tenho a mente em paz e iria tranquilo. A existência não se mede por cronologia, mas por qualidade de vida e pelos seus atos. O tanto que já bebi, sempre fui um alcoólatra até não poder beber mais... já sou um sobrevivente, não devia ter passado dos 50 anos. Estou numa hora extra monstro! O problema não é a morte, mas o que passei no hospital.

Istoé -

 O sr. citou a libido prejudicada pela cirurgia. Faz sexo todo dia?

José Luiz Datena -

 Já fui uma máquina no sexo, hoje faço duas vezes por semana, no máximo. De vez em quando eu dou uma brochada, aí tomo um Viagra para fazer uma graça. Minha libido diminuiu após a operação. Sou nota 4. Se eu pudesse tomar remédio todo dia, eu faria. Agora, você acha que a minha mulher, depois de me aturar 40 anos, vai querer todo dia? E acha que eu, depois de apresentar o “Brasil Urgente” todo dia, consigo?

Istoé -

 Como faz para relaxar?

José Luiz Datena -

 Tenho frequentado shoppings. Não gosto nem de tirar férias. Na última, fiquei no apartamento que tenho no Costão do Santinho, em Santa Catarina. Descurti viajar. E olha que, se der um tsunami na costa atlântica do Brasil, eu me f... porque tenho muita casa em praia. Tô me tornando um Michael Jackson – sem comer criancinha! –, mais recluso. No fim de semana passado, fiquei em casa, quase chamei um funileiro para me tirar do sofá. Minha mulher vive o mesmo regime semiaberto que eu. Ela teve encefalite três anos atrás e também não tem disposição de sair.

Istoé -

 Encefalite não é pouca coisa também, hein?

José Luiz Datena -

 A minha mulher sobreviveu por milagre. Teve uma meningite que evoluiu para encefalite e o problema saiu da meninge e foi para o cérebro. A Tide (Matilde) passou 40 dias no hospital, tratada com antiviral e antibiótico. Correu risco de morte. Eu morreria junto, se isso acontecesse. Sou física, psíquica e espiritualmente dependente dela.

Istoé -

 Houve um tempo em que você e sua esposa ficaram separados.

José Luiz Datena -

 Nos separamos por três anos, tive dois filhos com outra mulher, depois voltei com a Tide e ela me aguenta até hoje. Atualmente, sou muito calmo. Mais moleque, era terrível, saía com a putaria e chegava tarde em casa. Estamos 40 anos juntos. Casados, há 33.

Istoé -

 Fez dois filhos em três anos?

José Luiz Datena -

 Deu para fazer, cara... deu (risos). Eu trabalhava na Globo de Ribeirão (Preto), era magrinho e bonitinho. Quando começou a entrar no interior esse bagulho de tevê regional, eu aparecia no mesmo canal em que estava o Tony Ramos. E achavam que eu era amigo dele, do Tarcísio Meira. Eles nem sabiam quem eu era! E, nessa confusão, a mulherada dava porque eu estava na tevê. Uma loucura. A Matilde ficava p... comigo. Eu fiz muita cagada, bebia para c... até que parei.

Istoé -

 O sr. cortou bebida e cigarro por conta do seu filho Vicente...

José Luiz Datena -

 Parei de beber e fumar por causa do moleque (que foi viciado em crack por seis anos).

Istoé -

 O que aprendeu com a recuperação do seu filho?

José Luiz Datena -

 Foi a minha maior conquista. Não dá nem para dizer.

Istoé -

 Em qual esfera essa experiência o tornou uma pessoa melhor?

José Luiz Datena -

 Eu tirei a seguinte lição: jamais se deve abandonar um filho que tem problemas com drogas, jamais devemos considerar isso um crime. Criminoso é quem vende, o canalha que tira a pessoa da sua casa. Desse eu tenho ódio mortal. Ele se disfarça de boa gente e arrebenta a sua família. A lição que tirei é que você tem de amparar... não só depois, mas para tentar evitar. Eu não tinha um contato (com o filho Vicente) porque viajava a semana inteira para ganhar dinheiro.

Istoé -

 Está assumindo a culpa?

José Luiz Datena -

 Meu filho não tem nada a ver com isso, a culpa toda é minha. A minha ausência levou meu filho ao vício das drogas. Não tenho dúvida. Eu saía de casa na segunda-feira, voltava na sexta e ficava só no sábado. Domingo voltava a trabalhar.

Istoé -

 Como convive com essa culpa?

José Luiz Datena -

 Muito do meu comportamento agressivo se deve a esse período. Foi terrível. Minha mulher e meu filho queriam se matar. Sou um cara arredio, punk, por isso. Falar sobre isso mexe comigo. É evidente que ainda não exorcizei esse fantasma. Por que acha que tenho pavor de bandido, grito e esperneio contra o tráfico? Isso é uma raiva incontida que nunca ninguém irá tirar do meu peito! Fiquei mais xarope do que era. Graças a Deus, a recuperação do meu filho compensou tudo isso. Vicente está casado, tem filho, formou-se em direito e mora em Goiânia. Eu digo: as pessoas têm de ter esperança.

Istoé -

 É a favor ou contra um jovem experimentar maconha por curiosidade?

José Luiz Datena -

 Não era contra. Tive até duas experiências com maconha. Hoje, sou contra.

Istoé -

 É ciumento?

José Luiz Datena -

 Já fui com a Tide. Hoje, sou com neto e com a minha filha (a modelo Letícia), que é muito bonita. Na beleza, ela puxou a mim (risos). Fiquei seis anos sem ver a Letícia e o Marcelo, meu outro filho, porque a mãe deles casou com outro cara e não queria que eu os visse. Até que, enfim, ela quis que eles me conhecessem. Hoje faço tudo para ajudá-los. Com a Letícia, que é geniosa como eu, a aproximação foi difícil.

Istoé -

 Como se enxerga como pai?

José Luiz Datena -

 Fui um péssimo pai. Sempre fui ausente, distante. Mas procurei seguir Gandhi, que dizia que o ser humano é o único capaz de mudar em vida a sua existência. Hoje, compenso conversando bastante com eles. Como avô, sou fantástico! Viajo para vê-los (tem três netos), os levo para shopping.

Istoé -

 Tem algum sonho de consumo?

José Luiz Datena -

 Material, nenhum. Tenho seis carros e não dirijo nenhum. Me dá uns baratos (ao volante) e não passo bem. Meu humor fica alterado com os remédios que tomo. Ninguém gosta de tomar 12, 13 remédios por dia e se furar seis vezes para aplicar insulina, como eu. Meu índice glicêmico é muito alto. Tem dia que eu não durmo. Achava que gostava de carros, mas compro e não os dirijo. Comprei um Audi R8 (o modelo mais barato custa R$ 555 mil), aliás, o cantor Roberto Carlos comprou um também. É um p... carro, parece uma Ferrari! Mas, três meses depois, dei área nele. Vim trabalhar com o Audi um dia e ele deu um p... pau (arrancada), quase bati. Aí, parei na tevê e, quando desci, tinha uns 40 caras tirando foto do carro. Que p.... é essa, eu pensei? Sonho em descer a montanha, voltar às origens. Quero ir para Goiânia e conviver com os meus netos. Vou ter de optar. Tenho mais cinco anos e meio de contrato na Band. Ou faço um programa semanal gravado, que é o que quero fazer de verdade, ou me mando.

Istoé -

 Cansou-se do “Brasil Urgente”?

José Luiz Datena -

 Não quero fazer mais (o “Brasil Urgente”). Não nasci para isso. Já tô com o saco cheio de crime no varejo! Faço há 12 anos porque ou eu começava a fazer ou seria demitido da Record. Eu quero um talk show ou um programa de auditório. Tenho capacidade. Criei uma fidelidade em torno de mim que independe do programa que estiver apresentando. Mas nenhum diretor acredita nisso. Se perguntar para o (Fernando) Mitre (diretor de jornalismo da Band), ele vai falar que não (acredita), apesar de me achar um ótimo jornalista. Isso me enche o saco! A Record acabou de demonstrar interesse em mim. Houve uma sondagem.

Istoé -

 Já fez terapia?

José Luiz Datena -

 Fiz análise uma vez, há seis anos. Eu me achava louco e continuo achando. Mas, depois de três meses, o doutor disse que eu não era. Falou que eu era xarope por reagir a insultos e agressões de uma forma maior do que deveria. O doutor me colocou para conversar com uma cadeira, como se ela fosse a minha mãe. Falei meia hora com a cadeira. Ele queria saber se havia problema de relacionamento materno. Eu disse a ele que ganhei um problema porque em toda loja que eu ia eu achava que minha mãe era a cadeira da Tok&Stok! Procurei ajuda para poder conviver bem com as pessoas. Não adiantou. E, para não ter mais reações indevidas, estou me tornando um ermitão. Tenho o pavio muito curto (Datena quer saber o porquê de a maquiadora rir e ela responde: “Acho que você não tem pavio.”).

Istoé -

 Tem manias?

José Luiz Datena -

 Quando o programa dá dez pontos (de audiência), eu passo a semana inteira usando o mesmo relógio. Coisas imbecis do tipo. Gosto de xadrez com peça de marfim, binóculos antigos, Rolleiflex. Minha casa é um monte de penduricalho.

Istoé -

 Você é católico praticante?

José Luiz Datena -

Acredito em Deus, mas não vou à igreja. Toda religião que remete a Deus é um caminho. É legal o cara ser evangélico, budista. Eu leio a “Bíblia”, mas carrego o “Alcorão” comigo, leio a “Torá”.

Istoé -

 Poderia se autodefinir?

José Luiz Datena -

 Sou um cara do bem que nunca acordou pensando em ferrar alguém. Mas amealhei inimigos pela minha forma de ser. Não faço concessões morais, no trabalho, para patrão, trato as pessoas de forma igual. Procuro andar o mais próximo da verdade. Posso ter omitido algumas coisas na vida, mas nunca menti. Gostaria de ser mais maleável no trato com as pessoas. Se pudesse voltar no tempo para me corrigir, o faria em relação ao temperamento. Mas no cômputo geral, me lembro de ter pedido mais desculpas do que brigado. E sou um bruto que procura pela lapidação para terminar bem a vida. Queria, realmente, terminar a minha vida em paz.




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