A Semana > Entrevista
|  N° Edição:  1944 |  31.Jan.07 - 10:00 |  Atualizado em 29.Aug.14 - 18:49

Marília Gabriela

??O amor duradouro é o amor contrariado??

A jornalista, por enquanto, não pensa em namorar

Por Celina Côrtes

Marília Gabriela Baston de Toledo chega exuberante ao Teatro Villa-Lobos, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro: 1,78m de altura, olhos azuis meio arregalados, boca e mãos enormes que gesticulam o tempo todo. Vestidão preto e solto. Tênis de oncinha. Nascida na cidade paulista de Campinas, a jornalista e atriz Gabi, 59 anos, está na entressafra do amor – isso em relação aos homens. Âncora do programa Marília Gabriela entrevista, no GNT, no momento ela se dedica a uma outra paixão que se dá no campo profissional – mais precisamente, o teatro. Marília acaba de estrear no Rio A senhora Macbeth, uma releitura do clássico de William Shakespeare feita pela argentina Griselda Gambaro. Ainda falando de trabalho, Gabi volta ao cinema no final deste ano com o filme Sexo com amor, de Wolf Maia, contracenando com seu ex-marido Reynaldo Gianecchini.

Marília Gabriela estica as vogais quando fala, faz pausas estratégicas para pensar, esbanja simpatia e sedução. Interrompe a entrevista para atender o filho Theodoro, 28 anos, nascido de seu casamento com o tenista que virou astrólogo Zeca Cochrane (também pai de seu outro filho, Christiano, 35 anos). Ela dá conselhos a Theo e comenta ao desligar o telefone: “Ele me deu uma bronca quando fiz duas tatuagens.” Uma é na lateral da perna direita e a outra, na barriga. O humor, por sinal, é um traço marcante nessa geminiana que trocou a psicanálise pela astrologia. No terreno da política, Gabi acha que a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (com quem trabalhou na televisão na década de 80, no programa TV Mulher) está pronta para disputar a Presidência da República nas próximas eleições. Fiel em seus relacionamentos, pelo menos nos mais estáveis, ela defende o mito de Dom Juan, que trocava de mulheres porque desejava se manter em permanente estado de paixão, cita o escritor francês Albert Camus que dizia que “só é duradouro o amor contrariado” e escancara uma porta de esperança às mulheres solitárias.

Istoé -

ISTOÉ ? O que você diria às mulheres que estão sozinhas?

Marília Gabriela -

Marília Gabriela – Tem algum homem sobrando em algum lugar, eu garanto. Sempre. É só prestar atenção. Acho que as mulheres deviam ser mais ousadas. Tem gente com mais dificuldade no momento da abordagem, mas aconselho tentar. Se perceber que o bicho se assustou, dá uma ajustada e fica tudo certo. Nós somos em maior número, mas não somos um sexo definido. Há muita mulher com mulher, assim como também há muito homem com homem. Então digo para elas que é só prestar atenção que sempre tem alguém sobrando.

Istoé -

ISTOÉ ? Você já se casou três vezes. Encara um quarto round?

Marília Gabriela -

Marília – Gosto muito de me apaixonar. Na minha época, sempre nos enamorávamos para justificar o sexo. Uns romances duram mais, outros duram menos. Se eu me apaixonar, faço qualquer papel. Sou daquelas que abrem os braços para uma paixão. E, se for para dar certo, moro junto no dia seguinte, e “desmoro” no dia seguinte também. Não sou aquela que quer casar, quero me enamorar. Adoro a aposta da conquista, aquela primeira fase, de procurar no mapa astral quais são as características, ter uma palpitação na espera do e-mail ou do telefonema. Descobrir a pele, essa fase é insubstituível. Um sonho.

Istoé -

ISTOÉ ? Acontece algum sonho nesse momento?

Marília Gabriela -

Marília – Não.

Istoé -

ISTOÉ ? Como se sente como uma mulher que em 2008 será sexagenária?

Marília Gabriela -

Marília – Genética, física e organicamente não tenho essa idade, e me parece
que quando os homens falam comigo eles também não percebem quantos anos
eu tenho.

Istoé -

ISTOÉ ? Quais são os segredos para manter a aparência jovem ao longo da vida?

Marília Gabriela -

Marília – A genética ajuda. A família de minha mãe morreu cedo, mas os que sobraram têm pele excepcional. E pernas também excepcionais. Perdi minha mãe muito jovem, de câncer, aos 44 anos. Meu pai morreu com 69 anos e era muito jovem de aparência. Eu me trato e como direito.

Istoé -

ISTOÉ ? O que faz quando se sente deprimida?

Marília Gabriela -

Marília – Vou para baixo do chuveiro e choro, me permito chorar, essa é a técnica que eu uso. Isso aconteceu, por exemplo, no dia 31 de dezembro. Acordei em Las Vegas e pensei: não estou preparada para o resto da minha vida. Então fui para baixo do chuveiro e chorei. Aí ligou Zeca, meu ex-marido astrólogo. Aos prantos, eu lhe disse que não estava preparada para o resto da minha vida. Ele respondeu: é o retorno de Saturno. Chorei, chorei e secou. Acabou. Não tenho problemas em lidar com meus baixos. Outro método é o seguinte: conto tudo para os outros e debocho de mim.

Istoé -

ISTOÉ ? Você trabalhou na televisão com a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy. Ela está preparada para presidir o País se o PT lançá-la à Presidência da República?

Marília Gabriela -

Marília – Acho a Marta Suplicy uma mulher extremamente forte, acho que ela já estava preparada para ser presidente desde a época em que falava de sexo em seu programa TV Mulher. Ela mostrava uma vocação para o comando.

Istoé -

ISTOÉ ? Votaria nela?

Marília Gabriela -

Marília – Sendo uma jornalista, jamais responderia a essa pergunta.

Istoé -

ISTOÉ ? Falando em jornalismo, depois que você virou celebridade como faz para manter a isenção com entrevistados que viraram amigos?

Marília Gabriela -

Marília – Eu me isento completamente. Tenho uma curiosidade infantil e genuína que me permite fazer perguntas, sem reservas. Não tenho censura quando pergunto porque não tenho a autocensura de achar que estou ofendendo. Só procuro respostas. Com a experiência, o que de bom a idade traz, ganha-se certa sabedoria. Percebi que a informação é conquistada, e não arrancada. Não sou juiz e julgo cada dia menos. Acho que as pessoas têm milhares de razões para ser o que elas são.

Istoé -

ISTOÉ ? Qual foi sua entrevista mais interessante?

Marília Gabriela -

Marília – Fidel Castro. Ele veio para a posse de Fernando Collor em 1990. Me lembro que entrou numa sala cheia de gente, inclusive de críticos, e mudou o metabolismo do ambiente. Nunca vi um carisma parecido. Me lembrei dele porque parece que está na reta final. Imagino o que vai acontecer em Cuba quando ele se for. Não estou avalizando sua política. Teve poucos acertos e grandes erros, mas é um homem importante. E hoje parece que Hugo Chávez está oportunamente se articulando para ocupar esse espaço.

Istoé -

ISTOÉ ? Que espaço o teatro ocupa na sua vida de jornalista?

Marília Gabriela -

Marília – Pelo tempo que demanda, mais que o jornalismo. Faço as entrevistas com prazer e mais conhecimento de causa, este ano farei 38 anos
de profissão. Meu programa semanal me toma o tempo de discutir as pautas e estudar o entrevistado, depois vou lá e faço. Sou muito curiosa, assino e
leio três jornais e mais três revistas semanais e
agora há também a internet, uma compulsão. Mas o teatro é onde está a vida de verdade, onde se fala do ser humano de uma forma profunda, reflexiva. Gosto cada vez mais.

Istoé -

ISTOÉ ? Você já foi dirigida por Gerald Thomas, Aderbal Freire Filho e Antonio Abujamra. Quais as qualidades e defeitos de cada um?

Marília Gabriela -

Marília – Minha relação com Gerald foi de sonho, um casamento profissional. Acho que ele ficou orgulhoso de descobrir uma vocação que tenho de admitir que tinha escondida em algum lugar. Aderbal é um príncipe risonho, me deixa fazer as coisas e corrige, como se estivesse tudo bem, até chegar ao jeito que ele quer. Mas acho que foi com Abujamra que mais aprendi técnica teatral. E foi com quem eu mais briguei. Ele tem capacidade de me irritar, acho que ele gosta disso.

Istoé -

ISTOÉ ? Você acredita em resultados positivos na aliança entre os governos federal e estadual no combate ao crime organizado?

Marília Gabriela -

Marília – Existe sempre um interesse específico, particular, partidário que faz
com que na última hora essa aliança nunca dê certo. Até agora não provaram
nada. Não sei se vai dar certo e se o foco será mesmo a defesa da população
e não interesses políticos.

Istoé -

ISTOÉ ? As novas celebridades brasileiras têm características comuns?

Marília Gabriela -

Marília – É um fenômeno mundial. Elas são célebres porque se expuseram à mídia feroz, fenômeno recente, sem nenhum tipo de qualificação específica. Elas apenas apareceram e ficaram conhecidas pela exposição. Se tiverem competência, depois arrumam um trabalho. É só olhar a Paris Hilton. É um fenômeno inacreditável, multiplicado pelo fato de ela ser americana. Ficou mundialmente famosa. Agora ela já fez filmes e começou a justificar a fama.

Istoé -

ISTOÉ ? O que você acha do Big Brother?

Marília Gabriela -

Marília – Um grande negócio. As televisões descobriram uma fonte de renda espertíssima e uma linha inacreditável de comunicação com o público. As pessoas se vêem e se imaginam naquela situação. É um programa baratíssimo. Nessa distração, as pessoas perdem de vista suas questões particulares.
Não só com o Big Brother, mas em certos programas de tevê e nas revistas de fofoca. Tem gente comandando a sua vida e você não percebe, porque está distraída com a genitália e a sexualidade dos outros.

Istoé -

ISTOÉ ? Você faz terapia?

Marília Gabriela -

Marília – Fiz, há muitos anos, com dois ou três psicanalistas históricos. O último foi em 1990 e me deu alta. Toda vez que me complico, penso: não vou voltar ao analista porque já tive alta. E vou para o astrólogo!

Istoé -

ISTOÉ ? Continua tomando coquetéis de vitamina?

Marília Gabriela -

Marília – Hoje tomo um composto multivitamínico, vitamina C, remédio para os olhos e para queimar gorduras. Faço reposição hormonal e pilates todos os dias. Adoro. Fiz todo tipo de exercícios, inclusive ioga ashtanga, que me trouxe problemas no joelho e hérnia de disco. No fim do ano tive de operar o joelho. Me operei na véspera do Natal e já estou melhor.

Istoé -

ISTOÉ ? Afinal, qual foi o verdadeiro motivo do fim de seu casamento com Reynaldo Gianecchini?

Marília Gabriela -

Marília – A gente se separou porque foram oito anos de casamento. O “Giane” e eu somos impressionantemente parecidos. Essas semelhanças que nos atraem a princípio viram empecilhos com o tempo. Você vai virando parente. Olha o outro e reconhece você mesma. Acho que os longos casamentos viram parentesco. Já tive outros. Continuo parente de meu ex-marido. É ele que faz o mapa astral de meus namorados, fez inclusive o do Giane. Nos falamos quase diariamente, digo que conheci um cara assim ou assado e ele faz comentários, me manda e-mails.

Istoé -

ISTOÉ ? É sempre doloroso se separar de alguém de quem se gosta?

Marília Gabriela -

Marília – Não tenho dramas em separações. Sou aquela que acredita que uma boa história tem princípio, meio e fim. Albert Camus analisa alguns mitos, como Dom Juan, no livro Heróis absurdos. Ele percebe que uma pessoa que muda de amores, como Dom Juan, não é porque não ame, mas sim porque ama demais. Como diz Camus, só é duradouro o amor contrariado. Minhas relações se transformam. Giane e eu nos falamos todos os dias. Somos confidentes em um nível profundo, do tipo: qual é a sacanagem que você está fazendo agora?

Istoé -

ISTOÉ ? Vocês vão contracenar no filme Sexo com amor. Vão fazer o par romântico?

Marília Gabriela -

Marília – Não, são diversos protagonistas que formam três casais. Eu serei mulher do José Wilker e quem vai triangular com a gente é a Carolina Dieckmann. Agora estamos na fase de ensaios e a estréia do filme deve acontecer no final do ano.




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