• A Semana > Editorial
  • |  N° Edição:  2130
  • |  03.Set.10 - 21:00
  • |  Atualizado em 23.Mai.12 - 01:30

"A RECEITA, O CANDIDATO E O CASUÍSMO"

Carlos José Marques, diretor editorial

No terreno da eleição, projeto político foi um tema colocado de lado, esquecido como uma bobagem que não rende voto. Vale mais desmoralizar o adversário. Ao menos parece ser assim que pensa o tucanato, guiado pelo presidenciável José Serra. Ele tomou como bandeira de campanha um episódio execrável – a quebra do sigilo fiscal de sua filha Verônica Serra – e partiu para o ataque ensandecido contra a rival Dilma Rousseff. Sem nenhuma prova cabal ou elo concreto de envolvimento direto da adversária, apontou Dilma como culpada por tudo. Fez mais: pediu a impugnação de sua candidatura. Chamou-a de “fraude”. Lançou a pecha de “fascistas” sobre petistas. Chegou a chorar teatralmente durante discurso em palanque. Um espetáculo claro de casuísmo eleitoreiro que não condiz com a saudável disputa de ideias para vencer nas urnas. Pode-se entender a indignação de um pai com o crime cometido contra a filha. Mas daí a partir para ilações infundadas, concluindo que a responsabilidade é da opositora, vai uma longa distância. A leviana incursão serrista deixa transparecer o oportunismo. Nessa nova vertente de estratégia de campanha, Serra dá a entender que, se não pode ganhar no voto democrático, aceita vencer apelando. Partiu para o tapetão como aquele time que discorda do resultado. E nas pesquisas vai seguindo atrás. Em entrevista nesta edição, o correligionário e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – que, embora tenha sido o mentor do real e pai da estabilidade, foi sumariamente “esquecido” pelos tucanos nos programas eleitorais de tevê – diz que a campanha de Serra não está sintonizada com o País. As idas e vindas de seu antigo amigo e parceiro, que ora vincula a imagem a Lula, ora critica seu governo, incomodam FHC e deixam nele a impressão de uma campanha perdida.

O vazamento de dados da filha foi pego como tábua de salvação da candidatura de Serra. Mas o episódio da Receita Federal – que, de mais a mais, sempre pareceu um queijo suíço quando o assunto foi zelar pela privacidade dos contribuintes e pela guarda de informações sigilosas – não pode ser classificado como único. Ocorre há décadas, como problema crônico. Não faz muito tempo, era possível comprar calhamaços de CPFs no balcão do camelô da esquina. Desde os idos dos anos 70 o problema de quebra de sigilo fiscal vem seguindo como uma endemia, passando por sucessivos governos – de várias colorações partidárias –, sem solução. A Receita chafurda em um sistema falho, que dá margem a esquemas de corrupção financeira, em vários escalões, e que agora serve de arma política na cena da eleição.

Últimas Entrevistas

Marcos Pereira 18.Mai.2012
Antonio Carlos de Almeida Castro, Kakay 11.Mai.2012

eds

EM 04/09/2010 06:44:44

Condeno a atitude de Serra, mas vejo o Serpro como responsável maior por este desrespeito à privacidade do brasileiro. Ao inves de criar programas falhos, o Serpro deveria ser apenas um órgão regulador na área de informática do Brasil. Deixem a iniciativa privada florescer e corrigir proprios erros.


Luiz Otavio

EM 04/09/2010 00:12:43

Parabéns pela coragem de denunciar essa vergonha, esse papelão que o ex-governador Serra vem fazendo. Mas o pior não é um candidato se desesperar porque tá cada vez mais longe de ao menos passar ao segundo turno das eleições. Pior é a disfaçatez e o cinismo sendo destilado nos noticiários da Globo.


josé huertas

EM 03/09/2010 23:53:34

Caros, é permitido reproduzir em meu blog o conteúdo desta matéria? Independente da resposta gostaria de parabenizar pela síntese desse episódio nefasto.Mas, como males vêm pra o bem, espero que o sistema de segurança dos dados da receita seja modernizado após esse escândalo eleitoreiro.Abraços


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