- A Semana > Editorial
- | N° Edição: 2125
- | 30.Jul.10 - 21:00
- | Atualizado em 22.Mai.12 - 16:47
"OS EUA TORTURAM"
São demolidoras as revelações contidas nos quase 92 mil documentos secretos do Pentágono, que agora vêm a público, sobre a atuação dos EUA no Afeganistão. Primeiro por desfraldar o tamanho da violência – em muitos casos, covarde – com que os americanos agiram nessa guerra. E, em seguida, pela desfaçatez com que as autoridades daquele país agiram para encobrir e até desvirtuar o resultado dessa operação. Há no calhamaço de papéis registros pavorosos sobre crianças sendo mortas no ônibus escolar a caminho da sala de aula, mães grávidas que foram sumariamente executadas e até de uma vila onde todos os moradores foram exterminados durante uma festa de casamento, pela simples desconfiança de um militar de que ali se abrigaria uma célula de extremistas do Taleban e da Al-Qaeda. As práticas de tortura e de assassinatos de civis desarmados em nome do combate ao terrorismo eram em parte conhecidas pelo mundo. Mas não na contundência e nos detalhes torpes e abomináveis que agora aparecem através desses relatos. Os ataques desumanos a inocentes e a tentativa de encobri-los encontram paralelo na Segunda Grande Guerra, quando as atrocidades dos campos de concentração só foram desvendadas após o cessar-fogo. Os EUA que lideraram os aliados na ocasião são os mesmos que agora parecem praticar barbaridades em combate, ferindo o senso comum de civilidade. Já na guerra do Vietnã, que manchou indelevelmente a imagem dos EUA como nação justa, o governo americano ergueu um muro para evitar a circulação de informações que não lhe interessavam. As fotos e as evidências que surgiram depois viraram a opinião pública do próprio país contra os responsáveis e uma gigantesca mobilização barrou a continuidade do confronto. Diante do que vem sendo exposto, é de se perguntar se a opção pela alternativa bélica, com monumentais arsenais de ataque, de fato é eficaz para barrar a escalada dos grupos isolados de terrorismo que amedrontam o planeta nos últimos tempos. Todos querem se ver livres dessa ameaça. Mas não à custa de um cenário sombrio e deplorável de massacre em massa. Que os direitos humanos sejam preservados. Acima de tudo.
Últimas Entrevistas
"Essa bola é minha"
Marcelo de Lima Henrique, Marcelo de Lima Henrique, juiz de futebol, ao encerrar disputa sobre quem ficaria com a bola da partidaSalvador Benevides
EM 04/08/2010 11:47:06
Pequenos grupos terroristas que enchem o mundo de medo... Equivoca-se o autor da matéria, assim como tantos outros cidadãos no mundo, pois, os verdadeiros responsaveis pelo medo são justamente aqueles que se apresentam, pela midia global grauda, como salvadores do mundo.
André
EM 02/08/2010 23:01:16
Após brilhante análise e contundente crítica, do diretor editorial, às ignomínias norte-americanas, praticadas em nome de uma suposta segurança planetária, a tendente cegueira política da linha editorial da revista aparece, ignorando o fato de que o "terror" é resultado, não causa do presente. Pena!
André
EM 02/08/2010 23:00:44
Quando será que deixarão, mídias, políticos e sociedades ocidentais, de olhar os diferentes como inimigos e apenas vê-los como o que são: culturas diversas, que querem existir e se manifestar do seu próprio modo. Porquê o desejo de sufocar àqueles que não são iguais a nós? Quem são os terroristas?
Daniela
EM 02/08/2010 14:07:33
que horror.o que esperar de um pais que coloca a ganancia e o poder acima de qualquer coisa.foram muitas as vitimas dos americanos, na America Latina, Africa, Oriente Medio, Ásia, muitos inocentes morreram.Eles matam para roubar e depois ficam falando em democracia.Um absurdo Obama ganhar o nobel
Paulo Anjos
EM 31/07/2010 15:46:18
em qualquer guerra não deve-se estranhar a consecução de arbitrariedades, a propria guerra é propria de criaturas humanas de carater baixo.
