• A Semana > Editorial
  • |  N° Edição:  2128
  • |  20.Ago.10 - 21:00
  • |  Atualizado em 11.Fev.12 - 10:26

"O ELEITOR MERECE RESPEITO"

Carlos José Marques, diretor editorial

Seria demasiadamente óbvio enxergar a propaganda eleitoral gratuita como mero espetáculo circense de políticos maquiados e aventureiros exóticos, que tentam atrair o interesse do público votante. A arma da tevê não tem o selo de garantia da condução pura e simples dos candidatos ao poder. Fosse assim, quem tivesse mais tempo de aparição seria sempre eleito. A equação não fecha em transição tão direta. O (caro) espaço na telinha pode até reforçar tendências, acentuar impressões caricatas. Infelizmente, por seu formato quadrado e padronizado, não possui a força de desmascarar falsas promessas ou falsos profetas da boa nova. Arautos de araque! Alguns vão ali para explorar a crendice dos incautos de que tudo pode ser melhor pelo mero fato de que seriam eles os escolhidos. Mentem sem pudor. Emporcalham o exercício democrático. Enturvam a realidade. Prestam um desserviço à sociedade ao brincar com os destinos da Nação. E o pior: muitos conseguem o intento. Depois degradam a boa impressão que passaram através da falsa embalagem, esquecendo cretinamente o que tinham prometido em palanque. Mereciam ser escorraçados! Lançados na vala comum dos fichas-sujas.

Outros estão ali por pura palhaçada. O show lamentável continua no ar. O horário eleitoral gratuito tem servido decerto mais à diversão desses senhores, como uma ópera-bufa deprimente na qual o que menos se vê são propostas concretas, realistas e de interesse. A fauna de políticos de ocasião, que tripudia sobre o eleitor e torra a sua paciência com bobagens e demência, cresce a olhos vistos. É embalada por milhões de reais, desperdiçados em campanhas inúteis, em produções estratosféricas, em imagens fabricadas e em esqueminhas espertos de promessas ralas, empacotadas por marqueteiros que enchem os bolsos com as ideias que nunca sairão do papel. O enredo da telinha precisa mudar. O eleitor merece mais respeito. Mais de duas décadas de democracia depois, tendo cumprido religiosamente com o dever cívico de ir às urnas para escolher pelo voto direto os seus representantes, o cidadão brasileiro clama pela correção de rumo do processo. As aparições televisivas precisam passar por uma triagem criteriosa – conduzida pelos próprios partidos. Espaço democrático em milhões de lares de brasileiros não pode ser confundido com picadeiro ou com um sacolão de lixo político.

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