• A Semana > Editorial
  • |  N° Edição:  2118
  • |  11.Jun.10 - 21:00
  • |  Atualizado em 22.Mai.12 - 21:06

"O MUNDO NÃO QUER ACORDO"

Carlos José Marques, diretor editorial

Ao confirmar um movimento conservador que há décadas pauta o seu comportamento, a ONU – com o anúncio das sanções contra o Irã – rasgou as chances de um acordo, que vinha sendo pilotado conjuntamente pelo Brasil e a Turquia, e perdeu assim a melhor oportunidade de abrir as portas para uma saída negociada que barrasse a escalada nuclear em avanço no Oriente Médio. Na prática, as sanções têm um efeito rigorosamente pífio. O Irã, agora movido pela evidência do fim do diálogo, já avisou que não vai deter o enriquecimento do seu urânio. E o planeta fica à espera de um próximo passo no caminho de mais radicalização. Os custos dessa opção ainda não estão devidamente desenhados, mas já se sabe que na base da ação/reação sempre vão acabar perdendo todos. No campo político, a decisão da ONU representou uma necessária injeção de força à imagem do presidente americano, Barack Obama, que vinha sendo criticado por sua condução claudicante nas questões mundiais.

No oposto desse efeito não está necessariamente uma derrota de gestão diplomática do presidente Lula. Ao contrário. Ao atuar por um entendimento, com o aval do próprio Obama – como ficou claro em correspondências oficiais depois divulgadas –, Lula consagrou a via alternativa em que os países emergentes podem se projetar como nova força no tabuleiro das discussões globais. Países que votaram alinhados com os EUA o fizeram por temor de consequências comerciais futuras com o grande parceiro. Os EUA, por sua vez, não fizeram nenhuma questão de esconder essa ameaça. Mesmo o Brasil percebeu o tom pesado quando seus representantes foram abordados insistentemente para que evitassem um racha na votação da ONU. Por coerência e convicção, o Brasil e a Turquia disseram não às sanções. No conjunto, elas são mais brandas que as aplicadas, por exemplo, contra Cuba – onde se vive sob bloqueio absoluto há décadas. Na resolução da ONU, daqui por diante qualquer país estará autorizado a inspecionar cargas que entrem e saiam do Irã. Quarenta outras empresas iranianas serão colocadas numa lista com bens cuja comercialização fica proibida em todo o mundo, por suspeita de sua colaboração com o programa nuclear daquele país. O que isso tem a ver com alternativa efetiva para estancar a movimentação de um país marcado por uma ditadura de fanatismo religioso? Muito pouco. Dá na verdade mais combustível para que o Irã flerte com organizações terroristas como o Hamas, na Faixa de Gaza, e o Hezbollah, no Líbano. A miopia dos governantes e a tibieza da Organização das Nações Unidas levaram o planeta para a pior solução. A que não deixa margem a acordo.

Últimas Entrevistas

Marcos Pereira 18.Mai.2012
Antonio Carlos de Almeida Castro, Kakay 11.Mai.2012

Mossoroense

EM 13/06/2010 21:51:05

O diretor Carlos não conseguiria produzir um texto pior que este nem se tentasse o resto da vida. Horas depois de anunciado o "acordo", o Irã declarou que continuaria a enriquecer urânio em suas instalações e não por causa das sanções como diz o autor do texto. Onde está o compromisso com a verdade?


José Wilson P. Barbosa

EM 12/06/2010 22:59:02

Os EUA querem fazer do Irã o que fizeram com o Iraque. Acreditavam que Brasil e Turquia fossem incapazes de celebrar o questionado acordo. Ao vê-lo conquistado, dizem não. Há interesses escusos por parte dos EUA, pior, com a sanção da ONU ! È um filme reprisado.


Maria Ivanez de A Duarte.

EM 12/06/2010 01:12:02

Que lástima! O orgulho e a ganância predomina no organismo que deveria pautar sua atitude pela PAZ! Nem "miopia" nem "tibieza". Fingiam querer o Acordo pq acreditavam-no impossível. Mas Fato viável, eis que as verdadeiras intenções não resistem, e "Eles" é que não aceitam mais...hipocrisia deslavada


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