• A Semana > Editorial
  • |  N° Edição:  2113
  • |  07.Mai.10 - 21:00
  • |  Atualizado em 21.Mai.12 - 21:36

"O dia "D" de Dilma"

Carlos José Marques, diretor editorial

A candidata Dilma Rousseff tem um encontro marcado com os eleitores na quinta-feira 13, quando ocupa os canais de rádio e televisão, durante o programa partidário do PT. A aparição na tela é tida como a estreia oficial de sua campanha, muito embora o lançamento formal só esteja previsto para junho, como estabelece a lei eleitoral. Para chegar a esse momento, Dilma preparou-se. Cercada de um plantel de assessores, ela está repaginando o discurso, atitudes e mesmo o humor. Mais solta e falante, Dilma deu claras demonstrações da nova fase na visita que fez à Editora Três, que publica ISTOÉ, na quinta-feira 6, para uma entrevista – justamente uma semana antes da première em cadeia nacional. Por trás da metamorfose da candidata, um amplo debate vem ocorrendo sobre qual a sua imagem ideal para conquistar as urnas: a da Dilma autêntica ou a daquela que vem sendo moldada pelo marketing, com uma roupagem mais leve que a do figurino original. Nesse esforço de conversão, a ex-ministra de Lula tem um ponto a favor ao misturar trejeitos e expressões típicas de duas regiões tão distantes e distintas em estilo e tendência de voto – Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Nada mais natural a uma mineira radicada nos Pampas.

É bom lembrar que o seu mentor, o presidente Lula, passou por um processo semelhante. Somente saiu vitorioso para o cargo quando adotou a postura do “Lulinha paz e amor”, suavizando o radical discurso de sua história política passada. Dilma faz a sua reviravolta no momento tenso da candidatura. As pesquisas mostram uma certa estagnação na escalada que vinha trilhando até aqui e as alianças, que pareciam sólidas, revelam-se ainda frágeis. Na terça-feira 4, o PSC, que prometia integrar a base aliada, resolveu apoiar o opositor José Serra, tornando pública a decisão. No mesmo dia, o PP manifestou uma inesperada neutralidade na disputa presidencial. E mesmo o PMDB, que deve colocar o vice na chapa de Dilma, adiou para junho a oficialização do apoio. Esses reveses parece que em nada abalaram a confiança da ex-ministra. Dilma está pronta para o seu dia “D”.

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