- A Semana > Editorial
- | N° Edição: 2100
- | 05.Fev.10 - 21:00
- | Atualizado em 04.Fev.12 - 03:36
"Serra vai aguentar?"
Concretamente, o fenômeno novo que as pesquisas eleitorais registram é o avanço inegável da candidatura Dilma, que, segundo a CNT/Sensus, praticamente empata com Serra na votação espontânea do eleitor – 9,5% para um e 9,3% para o outro. Na pesquisa estimulada, o comportamento quase se repete, com 33,2% das intenções para o atual governador paulista ante os 27,8% da ministra, colocando os dois em situação de empate técnico. Pelos números, Dilma cresceu nada menos que 6,1% na preferência popular. É bastante, considerando-se que a propaganda eleitoral gratuita ainda nem entrou no ar no rádio e na televisão. Serra convive com o estigma de um teto eleitoral, já demarcado na candidatura presidencial anterior, quando enfrentou Lula. Tomado em perspectiva, o quadro que se apresenta hoje, na ponta de largada das campanhas, é de um grande potencial de avanço da escolhida do Planalto. “Serristas” dizem que a disputa ainda não começou, que seu candidato ainda não se apresentou. Mas basta uma olhada na agenda dos dois postulantes para perceber que o confronto já está em campo. Serra continua como uma força regional do Estado que governa, com pouca penetração no restante do País. O comportamento das pesquisas ainda reforça a tese do tucano Aécio Neves, que se retirou prematuramente do confronto para não virar muleta de Serra. Ao sair, Aécio apostou que o governador paulista iria mostrar assim seu real tamanho. Com a confirmação de Ciro Gomes de que fica na corrida presidencial, o cenário torna-se mais turvo para a opção tucana. Terá Serra fôlego para aguentar até um segundo turno? Será realmente ele a melhor opção? Um resgate do nome de Aécio, nessas circunstâncias, não pode ser de todo descartado. Ele viria não na condição de vice – como já rechaçou inúmeras vezes –, mas na de titular, como a força renovadora dos tucanos, capaz de encarar a máquina engolidora de votos do presidente Lula. No palanque, ao lado de Dilma, o presidente espera transferir a sua candidata parte da popularidade que construiu. E Serra, sem o fator novidade a seu favor, vai se amparar em que cabo?
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