• A Semana > Editorial
  • |  N° Edição:  2099
  • |  29.Jan.10 - 21:00
  • |  Atualizado em 09.Fev.12 - 07:50

"A queda de braço com o PMDB"

Carlos José Marques, diretor editorial

O movimento começou de maneira sutil. Ainda no final do ano passado, o presidente Lula sugeriu que o PMDB, partido da base aliada, entregasse uma lista tríplice de nomes para vice na chapa da ministra Dilma, que concorre nas próximas eleições. Com um candidato praticamente declarado ao posto – o presidente da Câmara, Michel Temer –, o PMDB reclamou e desconsiderou a proposta. Na semana passada, o Planalto avançou mais um passo na direção de influir sobre a escolha do partido. Defendeu abertamente a candidatura de Henrique Meirelles para a vaga ou, numa segunda hipótese, a do ministro Hélio Costa, ambos peemedebistas de carteirinha, com experiência na livre iniciativa. A ideia de Lula é ter ao lado de sua escolhida Dilma alguém com um perfil próximo ao do atual vice, José Alencar, bem-sucedido na vida empresarial onde ergueu o grupo Coteminas.

As sinalizações do governo só amplificaram os protestos do outro lado. O PMDB chegou a ameaçar com o abandono da chapa, caso Temer fosse vetado. Fez mais. A Executiva Nacional antecipou para fevereiro a sua provável reeleição à presidência do partido. No atual estágio da queda de braço com o PMDB é possível dizer que o tiro do governo saiu pela culatra. O partido aumentou seu preço: além da cadeira de vice, quer agora negociar várias outras participações de peso no futuro governo, para firmar o acerto. Ao desprestigiar o escolhido Temer, Lula também conseguiu o impossível: o PMDB, que tem poderes tradicionalmente difusos, e às vezes antagônicos, unificou o discurso em torno da figura do seu rejeitado presidente. E com esse cordão de isolamento deve ir para o tudo ou nada. A tática de influência de Lula, que teve efeito no PT quando fez valer o nome de Dilma a contragosto da maioria, também não vem sendo feliz com o PSB, ao qual pede a posição de Ciro Gomes sobre o seu futuro político. O PSB resiste à pressão e avisa: a decisão só sai em março. Nesse “tour de force” com a base aliada, o time de Lula vai acabar ficando sozinho, sem leque de alianças para a grande batalha com os tucanos, que se aproxima.

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