- A Semana > Editorial
- | N° Edição: 2098
- | 22.Jan.10 - 21:00
- | Atualizado em 09.Fev.12 - 23:50
"A Ocupação do Haiti"
A cena do desembarque ostensivo das forças americanas na sede destruída do governo do Haiti diz muito sobre o tipo de prioridade que rege a mobilização dos EUA naquele País. O esforço para controlar e garantir a segurança política haitiana se sobrepõe ao suprimento das necessidades básicas de vida, de resgate, de atendimento médico, de assistência a um povo castigado pelo sofrimento incessante. A marcha de soldados armados para sinalizar ordem reforça a mensagem imperialista e deixa em segundo plano a missão humanitária. Politizou-se a ajuda. Em mobilizações midiáticas, os EUA tomaram conta! Assumiram o aeroporto, passaram a administrar o tráfego aéreo, estabeleceram quem chega e quem sai. Lá, a bandeira americana já está hasteada no lugar da haitiana, numa clara afronta à soberania local. Por anos, os EUA temeram a democracia no Haiti e talvez daí o imenso aparato militar que agora mandam para lá. Com seus helicópteros Black Hawk descendo sobre o palácio presidencial, quiseram, simbolicamente, mostrar quem manda. Apresentam-se desta vez como redentores, mas são os mesmos que tentaram derrubar o governo eleito daquele país. Os mesmos que estabeleceram um embargo comercial capaz de estrangular a economia local. Os mesmos que por décadas patrocinaram ditaduras haitianas acusadas de cometer toda sorte de desmandos, massacres, crimes que, tanto como o terremoto, ajudaram a destruir o Haiti. Para um povo privado do sentimento de cidadania, da sensação de nação, da percepção de existência de um Estado operando serviços públicos essenciais, qualquer ajuda é bemvinda. Mas o esforço multilateral deveria se concentrar no pronto restabelecimento de sua dignidade. Pelo desespero da fome, da falta de casa e de condições mínimas de sobrevivência em meio aos escombros, os haitianos fi caram à mercê do caos, vivem em estado primitivo, vagando em hordas pelas ruas na busca de abrigo e alimento, enquanto anseiam pela reconstrução rápida, antes que todo o país se perca nas ruínas. É nesta direção que as forças de paz devem atuar e a primeira noção que os candidatos a salvadores dessa pátria precisam ter é a de que o Haiti não é um país a ser ocupado, mas ajudado.
Últimas Entrevistas
"Até hoje eu encontro gente na rua que me diz: Lupi, eu te amo também"
Carlos Lupi, ex-ministro do Trabalho, que declarou, com ironia política, amar a presidenta Dilma Rousseff"Eu não estou preocupado com as pessoas muito pobres. Nem com os muito ricos. Minha campanha é focada nos americanos de renda média"
Mitt Romney, principal pré-candidato republicano à Presidência dos EUA"Agora fica mais fácil entender o que Geraldo Alckmin pretendia quando recomendou uma aula de democracia aos estudantes da USP"
Raimundo Bonfim, ativista, criticando a Secretaria de Segurança de SP, que chamou de "revolução" o golpe militar de 64Mirqhntd
EM 27/04/2011 16:12:24
americans builders supplers in jamestown ohio,
