• A Semana > Editorial
  • |  N° Edição:  2210
  • |  16.Mar.12 - 21:00
  • |  Atualizado em 07.Sep.14 - 06:38

"NOVO ESTILO"

Carlos José Marques, diretor editorial

Uma guinada de comportamento da presidenta marca a cena política nos últimos dias. Dilma Rousseff, que sempre se mostrou avessa ao jogo da politicagem partidária, decidiu tomar as rédeas das negociações e partiu para o confronto aberto contra aqueles que tentam testar sua força. Na semana passada, num movimento ousado e calculado, decidiu trocar, de uma só vez, os dois líderes do governo no Congresso, tanto na Câmara como no Senado. Deu recados claros às siglas aliadas e a correligionários que a procuraram. “Agora a articulação é minha”, avisou em ao menos uma conversa reservada com um senador da base. Para quem, desde o início do mandato, preferiu a gestão puramente administrativa, longe dos conchavos e negociatas do Parlamento, é uma mudança e tanto. E que ninguém se engane. A presidenta Dilma assumiu a nova missão orientada e com o apoio nos bastidores de seu mentor, o ex-presidente Lula, com quem tem falado quase diariamente – inclusive com visitas relâmpago base de comando do cacique. O ensaio de rebelião de alguns parlamentares contra as determinações e escolhas do Executivo pouco incomodou Dilma. Em meio ao fogo cruzado, ela foi pessoalmente ao plenário do Senado, por ocasião do Dia da Mulher, e aproveitou a oportunidade para em público impor sua liderança e dar algumas estocadas. Lembrou até mesmo ao vice-presidente, Michel Temer, que o governo é deles e não só de um partido, no caso o PT. Apesar do pouco traquejo com as marolas políticas, Dilma tem se saído bem. Na base do morde-assopra, chegou a fazer acenos típicos de quem quer angariar simpatias nessa seara. Prometeu espaço, verba e até cargos para todas as legendas – não apenas para aquelas que a apoiam como até mesmo para as que fazem oposição. A Dilma repaginada vai estar mais atenta a demandas legislativas. Sabe que tem de tomar cuidado e impor alguns limites, mas entende também que não pode abdicar completamente da barganha, sob risco de desestabilização. A prática do presidencialismo de coalizão que deitou raízes por essas paragens faz décadas é um anacronismo institucional que cobra um preço alto do País. Os apadrinhamentos espúrios, o fisiologismo desavergonhado e os abusos de toda ordem encontram brechas nesse ambiente. É preciso mudar o status de relações entre o Executivo e o Legislativo. Do contrário, toda a Nação é que fica refém.

Últimas Entrevistas

Alexandre Allard 12.Set.2014
Eduardo Costantini 06.Set.2014

Pedro

EM 21/03/2012 10:41:39

Embora, eu não tenha o hábito de ler a isto é por questões variadas, tenho que dizer que o editorial é sóbrio em meio a tanta confusão e análise rápidas e consequentemente rasas dos movimentos políticos da presidenta. Obrigado, foi um prazer ler este editorial!


augusto

EM 19/03/2012 09:26:41

Brincadeira de editorial. Um semanário jornalístico que chama a mandatária da nação de "Presidenta" porque ela assim exigiu de seus lacráios, só poderia escrever que essa senhora está tomando frente do seu (des)governo. Lamentável. Ela é a rainha das coisas mal feitas, das obras inexistentes.


Nilton Márcio Vieira

EM 17/03/2012 06:59:11

Cuidado para não virar um COLLOR 2, ficou isolado, meteu o sarrafo, os caras o derrubaram porque queriam dividir o poder. O collor na época era avesso às alianças, terminou sendo boicotado pelo Congresso!