- A Semana > Editorial
- | N° Edição: 2205
- | 10.Fev.12 - 21:00
- | Atualizado em 22.Mai.12 - 16:48
"O crime de farda"
Passou dos limites e não pode ser enquadrada na vala do crime comum a ação anárquica, em forma de levante, dos PMs que deveriam zelar pela segurança da sociedade. Os atos de vandalismo, o uso de crianças como escudo de amotinados e as ameaças pelas ruas já configurariam infrações passíveis de punição exemplar. Mas esses PMs resolveram ir além. Tal e qual marginais que espreitam seus alvos para ataques covardes e deliberadamente premeditados, os PMs, segundo se depreende de gravações que vieram a público, armaram ciladas e espalharam terror – em alguns casos até mortes – que indignaram e deixaram perplexos espectadores por todo o País. Aqueles que se mancomunaram com esses atos deploráveis afrontaram o Estado de Direito e se equipararam a bandidos de alta periculosidade quando, de armas em punho, encapuzados, quiseram fazer valer sua vontade diante de uma população refém e fragilizada. Na conta fria dos números, a ausência de policiamento e o movimento de baderna que montaram contabilizavam de saldo, até o final da semana, quase 200 vítimas fatais. Uma quantidade de baixas só comparável a de lugares do mundo que se encontram sob conflito. A Bahia, coração do motim, virou praça de guerra. O oportunismo da operação “protesto” às vésperas do Carnaval e a tentativa de encobri-la com o manto vestal de uma mera reivindicação trabalhista por melhores salários somente acentuam a gravidade dos episódios registrados nos últimos dias. Não há, nesses casos extremos, qualquer brecha para uma anistia aos responsáveis. Do contrário, abre-se caminho para a legitimação da anarquia e o avanço da bandidagem, que nunca respeitou regras ou leis. A bem da verdade, a esmagadora maioria dos PMs honra a farda que veste e está a merecer, há muito tempo, uma revisão de suas condições de trabalho. São justos muitos dos pedidos dessa turma. Mas há métodos e alternativas legais, via negociação, para conquistá-los. Mal remunerados e pouco aparelhados para a atividade de risco que desempenham, os PMs do Brasil podem ser vistos como heróis. Uma imagem que levaram anos para lapidar e que não pode ser arranhada pela sandice de alguns poucos.
Últimas Entrevistas
"Não tem essa história de dois lados. Um lado já foi suficientemente condenado, assassinado, desaparecido"
Paulo Sérgio Pinheiro, integrante da Comissão da VerdadeVitória Pereira
EM 15/02/2012 15:19:51
Lutar por um direito é uma coisa mas romper com os direitos de inocentes gerando violência e vergonha é inaceitável, eles estão sendo totalmente irracionais.
Ivanildo Nunes
EM 15/02/2012 10:25:00
Quando o pessoal do MST (que invade fazendas e depreda propriedade publica e privada) invadiu a secretária de Agricultura e acampou em frente a ALEBA, o governador enviou 600 quilos de carne, mas quando policias tentam mostar a insatisfação quanto a política salarial são tratados pior q bandidos.
Ivanildo Nunes
EM 15/02/2012 10:11:46
A verdade é que a mídia brasileira está entregue ao poder político. Não se pode negar os excessos causados por elementos s/ compromisso de classe ou social, mas o movimento foi justo, o governo se nega a pagar direitos decretados em lei, fazem 15 anos e nada da GAP V, será q PM ñ precisa comer?
Paulo
EM 13/02/2012 02:12:35
Porque todos os poderes executivos do Brasil, em todas as esferas, nunca possuem recursos para executarem minimamente suas funções com presteza? Falta de dinheiro já não é mais uma desulpa válida.
Claudionor
EM 10/02/2012 22:40:52
Regulamentação da greve de serviços essenciais, por que o Editorial não citou o mais importante? Outra, por que greve em governo do PT é vandalismo e no governo tucano é reivindicação?
