• A Semana > Editorial
  • |  N° Edição:  2198
  • |  21.Dez.11 - 21:00
  • |  Atualizado em 22.Mai.12 - 20:38

"O SINAL DAS CHUVAS "

Caem os primeiros barrancos, já são registradas vítimas e milhares de casas destelhadas de uma tragédia anunciada ano a ano. A cada início de temporada das chuvas o País entra em alerta. Comunidades inteiras temem a ameaça e, diante da inoperância de autoridades, assistem inertes ao impacto destruidor da natureza sobre suas vidas. No sul do País, no Norte-Nordeste, em cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Ouro Preto – para ficar em alguns casos mais notórios –, já são nítidos e indiscutíveis os sinais de caos das enchentes. Essa temporada se prenuncia como uma das piores em décadas. Na capital mineira, nos últimos 20 dias, choveu mais que o dobro do esperado para todo o mês. O patrimônio histórico do Estado ficou afetado. Casarões do século XIX terminam o ano com estruturas danificadas. Os problemas são de toda ordem. Em várias regiões. E em escala crescente, de acordo com o aumento da força das águas, que tem se intensificado de uns tempos para cá devido ao agravamento do quadro ambiental. O que surpreende boa parte dos brasileiros é que, apesar da previsibilidade da situação, pouco ou nada é feito para evitá-la. Ou, no mínimo, para atenuar seus efeitos. Em São Paulo, o mais rico Estado do País, o prometido plano de emergência contra catástrofes das chuvas foi mais uma vez adiado. Agora está previsto para março de 2012 – praticamente no fim da estação das águas na região. Pela sistemática tática de retardar o que deveria ser considerado um investimento vital, o plano mais parece promessa eleitoreira de político que tenta mostrar preocupação com assunto somente em época de arrecadar votos. Não há nenhum comprometimento firme de autoridades com a busca de soluções efetivas. Nacionalmente, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, limitou-se por esses dias a constatar o óbvio: “Pessoas morrerão por conta das chuvas no próximo ano.” É o que todo mundo já sabe. O que falta explicar é quando alguém vai tomar as providências esperadas.

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