• A Semana > Editorial
  • |  N° Edição:  2192
  • |  11.Nov.11 - 21:00
  • |  Atualizado em 23.Mai.12 - 00:07

"O custo do loteamento ministerial"

Carlos José Marques, diretor editorial

O loteamento ministerial é a praga da nova era que asfixia sucessivos governos. Vem desde os tempos da redemocratização do País, nos idos anos 80, e de lá para cá essa espécie de pacto pela governabilidade tem dado margem aos mais escabrosos casos de corrupção e desvios de conduta dentro do Executivo. Não há ambiente para a prática de uma política saudável e transparente diante do troca-troca de cargos e pastas por apoio parlamentar. Está provado e reafirmado nesta última gestão. O rol de ministérios contaminados por atos ilícitos e de titulares afastados por quebra de decoro supera todas as expectativas e deixa no ar a dúvida sobre quantos mais podem ser envolvidos. O chamado “presidencialismo de coalizão”, um regime maroto e capenga que submete o chefe de Estado a alianças espúrias e de interesses duvidosos, tem de acabar. Não é crível imaginar que o voto das bancadas só pode ser obtido através do esquema de entrega de ministérios, na base da “porteira fechada”, para os partidos aliados. Se o País quiser avançar rumo à modernidade, tem de exigir que seus políticos, eleitos pelo voto direto, concedam o apoio, ou façam oposição, de acordo com a análise do conteúdo programático de cada governo. Nos moldes do que ocorre nas nações mais desenvolvidas. Projetos e ideias podem ser alvos de barganha. Devem ser compartilhados e negociados com as várias siglas vitoriosas nas urnas. As pastas disponíveis no Executivo não! São de responsabilidade direta e exclusiva do presidente. E, por isso mesmo, precisam estar alinhadas com o seu plano de governo. Aceitar hoje que o Ministério dos Transportes, por exemplo, fique sob o controle direto do PR, que o do Trabalho pertença invariavelmente ao PDT ou que o do Esporte caia sempre nas mãos do PCdoB – como feudos intransferíveis, independentemente da qualificação e do conhecimento dos indicados para a vaga –, soa como excrescência e provoca distorções, com alto custo para toda a sociedade. A reforma ministerial, com data marcada para o início do próximo ano, quando acontece a desincompatibilização dos futuros candidatos, é uma ótima oportunidade para dar um basta a esse coronelismo desastroso e para o começo de uma nova e promissora fase.

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