• A Semana > Editorial
  • |  N° Edição:  2190
  • |  28.Out.11 - 21:00
  • |  Atualizado em 21.Mai.12 - 06:53

"O testamento econômico de Cristina"

Carlos José Marques, diretor editorial

É cristalina a ideia de que a economia move a política – e, por tabela, leva a reboque os políticos que a patrocinam. Ao longo da história vem sendo assim em várias partes do mundo. A economia do Plano Real deu dois mandatos ao presidente Fernando Henrique. A estabilidade econômica garantiu outros oito anos presidenciais a Lula. O déficit zero premiou o americano Bill Clinton com a reeleição nos EUA. E, agora, na Argentina de crescimento econômico padrão milagre, Cristina Kirchner arrancou uma vitória avassaladora nas urnas. Conseguiu quase quatro vezes mais votos que o seu adversário direto, o socialista Hermes Binner. Converteu-se na mais popular mandatária daquele país desde Perón. Vai mandar no Congresso Nacional com uma maioria folgada, superior, proporcionalmente, à bancada de Dilma Rousseff no Brasil. No limite do exagero, analistas passaram a falar em uma onda de “cristinismo”, movimento político que se alastraria com a mesma força do peronismo de outrora. Cristina Kirchner está de fato no auge. Apoia-se num colchão de reservas de quase US$ 50 bilhões – uma enormidade para a Argentina. Vem praticando superávits comerciais na casa dos bilhões. Adotou uma política de incremento da atividade industrial e de garantia do emprego com bons resultados. Sacramentou um novo modelo desenvolvimentista, com inflação e juros em baixa. E, para completar, investe pesado no social. Vai, pelo que propagandeiam seus assessores, de vento em popa.

Depois do calote da dívida externa, da anarquia social e da quase asfixia da produção, a era Kirchner vem colecionando feitos capazes de mitificar sua condutora. O problema é que muitos dos números da gestão Cristina são, para dizer o mínimo, de natureza duvidosa. Sujeitos a questionamentos de instituições respeitáveis que resistem em endossar os anúncios oficiais. Dizem que o buraco é mais embaixo. Traçam cenários de contas públicas se deteriorando. Apontam que a fuga de capitais já superou o nível de US$ 67 bilhões nos quatro anos do mandato passado. Põem um enorme ponto de interrogação sobre o testamento de Cristina e os desdobramentos futuros. Nada que abale o prestígio da escolhida. Pelo menos junto aos eleitores. A sensação de melhora dos indicadores parece ter cativado a imensa maioria, que revalidou seu passe. E a profecia econômica voltou a se cumprir.

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Marcos Pereira 18.Mai.2012
Antonio Carlos de Almeida Castro, Kakay 11.Mai.2012

Tabrez

EM 18/02/2012 01:57:47

Heck yeah bay-bee keep them cmiong!


rvoudxypf

EM 16/02/2012 12:26:25

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Makalah

EM 15/02/2012 19:53:07

Yours is a cevler way of thinking about it.


Cade

EM 15/02/2012 11:27:51

Deep thought! Thanks for contritbuing.


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