- A Semana > Editorial
- | N° Edição: 2090
- | 27.Nov.09 - 19:00
- | Atualizado em 15.Mai.12 - 11:32
"As opções de serra"
O tucano José Serra aproxima-se do seu Rubicão, a margem depois da qual seu futuro político estará traçado. Para a Presidência, para o governo do Estado de São Paulo ou para a aposentadoria, na derrota de uma coisa ou da outra, dada a idade de 67 anos e os reflexos negativos que a perda nas urnas pode provocar sobre a sua capacidade de influência no tabuleiro partidário dali por diante. A escolha do caminho a seguir é o que angustia o governador-candidato por esses dias. Ao desembarcar do mandato que detém, Serra poderá estar abdicando de cinco anos garantidos de poder à frente da máquina paulista – um ano que lhe resta de governo e outros quatro que são dados como líquido e certo em caso da tentativa de reeleição –, um lucro real e consistente também para o seu partido, o PSDB. opção pela corrida presidencial coloca Serra no confronto direto com a preferida de Lula, que, do alto de seus 80% de aprovação popular, vai mover mundos e fundos para fazer o sucessor. As últimas pesquisas sinalizam uma perigosa aproximação de Serra com a candidata da situação, Dilma. Serra com os atuais 31,8%, segundo sondagem da CNT/Sensus, já perdeu, antes mesmo da campanha, eloquentes 15 pontos percentuais do alto patamar, na casa dos 40%, com o qual apareceu nas pesquisas preliminares de início de ano. A diferença Serra/Dilma caiu para apenas dez pontos, com os 21,7% dessa última. É importante lembrar que, historicamente, candidatos partindo de patamares nas alturas têm mais a perder. Afinal, a medição considera o recall anterior do escolhido. Serra carrega boa herança de votos da batalha que travou nas urnas para as eleições presidenciais de 2002. Encerrou aquela maratona na casa de 40% de aprovação nacional e começou agora no mesmo teto. Ir além requer muito mais jogo de cintura do que o exigido de Dilma, a promessa de continuidade do governo Lula, que pelo teor de novidade tem terreno a conquistar – se vai conseguir é outra história. No cabo da disputa, Serra e Dilma são muito parecidos: na postura, na linguagem, na imagem de gestores administrativos eficazes. Daí decorre a questão: com essa proximidade de estilos, qual bandeira tão distinta poderá levantar Serra para fazer frente a Dilma? Como converter-se numa antítese atraente? Por seu perfil centralizador e pouco receptivo a concessões no toma-lá-dá-cá partidário, o leque de alianças que seu nome angaria é mais limitado. Nos últimos dias, pressionado pela base de sustentação, começou a se expor mais. Foi a programas de tevê, intensificou o ritmo de cerimônias, engrossou a maratona midiática. Não está propriamente em campanha. Antes disso, sua cruzada serve prioritariamente para testar a receptividade popular. É uma espécie de sondagem de mercado para decidir se vai ou se fica. As peças estão na mesa e Serra terá que movê-las sem chance de errar.
Últimas Entrevistas
"Não tem essa história de dois lados. Um lado já foi suficientemente condenado, assassinado, desaparecido"
Paulo Sérgio Pinheiro, integrante da Comissão da VerdadeFernando Brandão
EM 03/12/2009 12:38:58
O Serra tem mais que esquecer a Presidência. Nomes antigos, como tudo em nossa época tá fadado ao esquecimento. O Brasil não tem tradição de cultuar o "velho" em detrimento do "novo", como nos países europeus. E é isso que o povo espera: novas propostas, novas caras; e já temos de sobra.
