- A Semana > Editorial
- | N° Edição: 2170
- | 10.Jun.11 - 21:00
- | Atualizado em 21.Mai.12 - 16:30
"Dilma sem Palocci"
A troca do titular da Casa Civil sinalizou para muitos que agora o governo Dilma começou de fato e de direito. À sua imagem e semelhança. Sem tutelas. Nem a de seu mentor e antecessor, Lula, que a constrangeu dias atrás ao desembarcar em Brasília para pilotar ele mesmo uma saída para a crise – tal e qual um mandatário em pleno exercício do poder. Nem a do demissionário Palocci, que incorporava a condição de eminência parda, tido e havido como uma espécie de primeiro-ministro, mandando acima dos demais. Gleisi Hoffmann, que assume, é da cota pessoal da presidente. Traz um perfil mais gerencial e carrega uma missão desidratada das articulações políticas que costumam dar munição ao ocupante do cargo. A virada de estilo na pasta, rumo a um caráter mais técnico, tem a marca clara e indissolúvel da presidente – que, de mais a mais, já esteve na mesma cadeira agora de Gleisi e de lá saiu, direto, sem escala, para a vitória nas urnas. Gleisi e Dilma farão certamente um dueto afinado no estabelecimento de prioridades e na condução de demandas externas. Não apenas porque a escolhida é mais uma mulher – compondo assim o maior corpo de autoridades femininas jamais visto controlando os principais postos da República. Dilma está certamente mais à vontade com alguém que possui trajetória e ideologia parecidas com as suas.
O problema decorrente dessa reconfiguração no alto escalão é a ausência de um personagem com o estofo e o traquejo suprapartidário de Palocci. Com a presidente pouco familiarizada nas artimanhas parlamentares e que não demonstra a menor paciência para entrar no jogo de aliados e oposicionistas, o risco de desintegração da base de apoio é grande. Ao lado de Dilma, o quadro mais visível do governo que traz essa característica e pode exercer o decisivo papel de conciliador é o próprio vice-presidente, Michel Temer. Mas nesse caso se estabelece uma nova discussão: quais as ameaças para Dilma ao ficar refém do PMDB? Como apaziguar os ânimos e conter o fisiologismo atávico da sigla de Temer? A pupila do ex-presidente Lula – a quem ainda devota uma fidelidade canina – já amargou no Congresso uma sonora derrota na votação do Código Florestal. Não pode passar por outra tão breve. Seu maior teste: demonstrar que a emancipação não vai lhe custar caro demais.
Últimas Entrevistas
"Não tem essa história de dois lados. Um lado já foi suficientemente condenado, assassinado, desaparecido"
Paulo Sérgio Pinheiro, integrante da Comissão da VerdadeMircea
EM 22/06/2011 13:13:29
I am totally wowed and ppreared to take the next step now.
Rosabel
EM 21/06/2011 16:22:31
That's not just the best answer. It's the btseest answer!
Aluisio
EM 13/06/2011 17:26:36
Alguem acredita que ela gôverna alguma coisa, acho que nem os Ptralhas, não passa de boneca de ventriloco, na pratica é o 3° mandato do Lula, podes crêr.
Luiz Carlos b. dos Santos
EM 11/06/2011 22:07:16
Mudam os personagens e a história parece ser sempre a mesma. Uma leitura em 1808 e 1822 nos faz entender um pouco porque seremos sempre o país do futuro. Eita futuro longe da porra.
