• A Semana > Editorial
  • |  N° Edição:  2167
  • |  20.Mai.11 - 21:00
  • |  Atualizado em 22.Mai.12 - 21:06

"A CONSAGRAÇÃO DA IGNORÂNCIA"

Carlos José Marques, diretor editorial

A inconcebível decisão do Ministério da Educação e Cultura de avalizar o livro “Por uma Vida Melhor” para as escolas públicas desmoraliza o idioma nacional e põe por terra um dos maiores valores da cidadania, que é a língua de seu povo. O livro – que deveria ser intitulado “Por um Ensino Pior” – prega que é aceitável o uso de expressões como “nós pega o peixe” ou “os livro”. O argumento por trás desse despautério é o de que tais expressões são corriqueiras na comunicação falada dos brasileiros. Em outras palavras, o falar errado legitima o escrever e o ler errado e, por tabela, numa conclusão inapelável, o ensinar errado. É a apologia da mediocridade! Com o selo oficial do MEC, a obra agride normas gramaticais e estabelece um novo padrão de pedagogia em que a leniência e o descaso com o ensino viram praxe. Com essa rendição na formação do brasileiro o País pode entrar numa rota perigosa rumo ao atraso e à delinquência educacional. “Por uma Vida Melhor” indica ainda que, no mundo do “politicamente correto”, orientar o aluno para que ele empregue o idioma na sua forma certa equivale a um “preconceito linguístico”. Não cabem parâmetros ou regras convencionais. O uso impróprio é aceitável. A banalização do português é permitida. Ao pé da letra desse entendimento, os colégios vão ter de acatar o ataque à concordância verbal, a afronta aos mecanismos gramaticais e o desprezo à boa literatura. Trata-se de uma pregação demagógica e obtusa. Um desserviço à Nação. Será que é isso que desejam os milhões de pais quando levam seus filhos às escolas todos os dias? É admissível que estudantes tenham na mochila e nas carteiras da sala de aula um material que emburrece em vez de instruir? A artimanha marota de aplicar nessas instituições a lei do menor esforço – e do menor custo – no ensino só pode atender à alegação de que faltam recursos para a cultura e educação. Professores ganham mal, logo não se pode exigir deles que tirem alunos do estado de ignorância! Deforma-se assim o caráter do brasileiro. A revisão da obra “Por uma Vida Melhor” ou a sua retirada pura e simples das prateleiras e do ambiente escolar é urgente. O que está em jogo, antes de tudo, é a discussão sobre como queremos preparar as futuras gerações. Se abdicarmos do papel vital de formar e educar corretamente os cidadãos, o que restará? Dentro em pouco, alguém lançará a ideia de abandono da bandeira nacional. Teremos, a partir daí, alguma identidade? 

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Deep thinking - adds a new deimnsion to it all.


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EM 23/06/2011 10:24:35

Estou impressionado como essa gente aprecia a roupa do Rei. Quero ver qual jornalista decente e bem informado terá a coragem de dizer que o Rei está nu. Parabéns aos autores do livro - vocês estão na vanguarda! Essa reação é até esperada. Aprenda a ler: o livro não ensina a falar "errado".


Lavonn

EM 22/06/2011 13:25:03

Kewl you should come up with that. Exclleent!


Janeece

EM 22/06/2011 02:07:51

IJWTS wow! Why can't I think of tihgns like that?


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