• A Semana > Editorial
  • |  N° Edição:  2131
  • |  10.Set.10 - 21:00
  • |  Atualizado em 11.Fev.12 - 00:35

"O RETRATO DO PAÍS NA PNAD"

Carlos José Marques, diretor editorial

A maior radiografia da vida do brasileiro está disponível desde a semana passada em nova edição da PNAD, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, anualmente elaborada pelo IBGE. Nessa última PNAD, que reflete a situação do País em 2009, quando foram apurados os números do levantamento, são verificadas estagnações em algumas áreas e evoluções de toda natureza em outras. Em muitas delas, em especial no campo dos serviços essenciais a cargo do Estado, tais avanços ocorrem em ritmo mais lento que o desejável. O setor privado é que parece estar propiciando melhorias eloquentes no dia a dia do cidadão. O surpreendente crescimento da quantidade de pessoas com acesso a bens de consumo – de geladeiras e fogões a aparelhos de DVD e televisão – mostra isso. No campo da telefonia, por exemplo, o fenômeno acontece em ritmo acelerado desde a privatização. Em 2004, 16,5% das famílias pesquisadas possuíam um celular. Cinco anos depois esse percentual saltou para 41,2%.

Como um país de contradições em que a modernidade e o atraso convivem em diversos setores de atividade e em regiões distintas do mapa, o Brasil viu a renda crescer em 2009 – apesar da crise –, enquanto na camada dos 10% mais pobres essa melhoria do rendimento foi bem inferior. Aumentaram o número de empregos formais, com carteira assinada, e a média da qualidade educacional dos trabalhadores. O trabalho infantil regrediu e mais de um milhão de cidadãos deixaram a pobreza em 2009. Mas tais sinais positivos ainda esbarram no calcanhar de aquiles da infraestrutura para proporcionar uma vida decente ao brasileiro. No campo do saneamento básico, a rede de esgoto vem evoluindo a taxas bem abaixo daquela registrada no crescimento médio da população. O acesso ao saneamento foi de 46,4% dos lares pesquisados em 1992 para 59% em 2009. Levaram-se, portanto, quase duas décadas para essa tímida melhoria. Algo semelhante verificou-se na educação, em que o analfabetismo caiu de 17,2% em 1992 para 9,7% em 2009. O caminho percorrido parece estar correto, mas o País tem pressa no processo e as autoridades deveriam estar atentas aos números da PNAD para incluir em suas agendas um plano de transformação condizente com a nova etapa de desenvolvimento econômico vivida no País. É uma tarefa dirigida em especial aos candidatos que disputam cargos majoritários nas eleições do dia 3 de outubro. Como plataforma de referência, a PNAD tem o mérito de um manual prático e didático para auxiliar qualquer um interessado em corrigir erros de rumo do País.

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