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  INTERNACIONAL 24/03/2004
Espanha

 
Indignação: de Madri a Sevilha (foto), espanhóis exigem transparência
 
A União Européia, que se mostrou cindida durante a guerra do Iraque, tenta agora se unir em volta de métodos mais eficientes para combater o terrorismo. Itália, Espanha, Polônia e Reino Unido foram aliados dos EUA, enquanto França e Alemanha lideravam o coro dos descontentes.

Mas a cisão no seio da família européia não foi causada pela guerra. Desde a queda do Muro de Berlim, quando o Ocidente deixou de ter um inimigo comum, os países europeus não falam nem no mesmo tom nem no mesmo ritmo. São vozes em desafino que se reúnem dependendo da ocasião. Mas agora, com a ameaça terrorista batendo à porta, os europeus deverão deixar de lado algumas divergências. Zapatero terá que encarar, em conjunto com os demais países europeus, um terrorismo muito mais sofisticado e letal do que o da ETA. “É prioritário criar um novo modelo de segurança muito mais firme ante o desafio do terrorismo”, afirmou o futuro primeiro-ministro. Acrescentou ainda que “o modelo atual é deficiente em matéria de coordenação policial.”

Enquanto isso, o agonizante governo Aznar tenta mostrar serviço. Além dos cinco (quatro árabes e um espanhol) detidos no dia do atentado, foram presos mais três marroquinos e dois indianos, elevando o número de suspeitos detidos para dez. Os marroquinos Jamal Zugam, Mohamed Bekkali e Mohammed Chaui são acusados de pertencer a uma organização terrorista e de ter envolvimento em 90 assassinatos e 1.400 tentativas. Zugam, dono de uma loja de celulares, é suspeito de ser ligado a Abu Dahdah, considerado o líder do Al-Qaeda na Espanha e acusado de ser o responsável pelo atentado em Casablanca em maio passado.

Enquanto a investigação prossegue, o Velho Continente tenta evitar novas tragédias. Reino Unido, Itália e até França e Alemanha temem possíveis atentados e reforçam seus esquemas de segurança. A Comissão Européia afirmou que, das dez medidas de segurança aprovadas depois do 11 de setembro de 2001, muitas ainda não foram implementadas na maior parte dos 15 países-membros. Entre as novas ações do bloco europeu deverá estar um banco de dados com informações sobre os principais terroristas procurados e os tipos de armas e explosivos usados nos últimos atentados. A França – que foi contra a guerra do Iraque, mas baniu o véu das escolas irritando a comunidade muçulmana – traça um plano de segurança nacional envolvendo 2.500 policiais e 600 soldados para patrulhar as estações de metrô e trem de Paris.

É a Al-Qaeda , estúpido!
Os atentados de Madri vêm mostrar que os terroristas da Al-Qaeda foragidos do Afeganistão continuam aptos a realizar as piores atrocidades. A verdade é que, neste aniversário de um ano da invasão do Iraque, os EUA estão longe de combater os verdadeiros terroristas que atacaram seu território. Dos 20 mil a 70 mil homens treinados pela organização nos anos de Taleban, apenas três mil foram presos. “Os americanos têm todos os relógios, mas nós temos o tempo”, ironizaram certa vez os seguidores de Osama bin Laden. Como disse o analista britânico Michael Clark, do King’s College em Londres, “a Al-Qaeda é disciplinada, coesa e seletiva na admissão da organização”. Nem mesmo o anúncio do Paquistão de que teria cercado o segundo homem do Al-Qaeda, o egípcio Ayman al-Zawahri, aliviou as tensões. Para piorar ainda a situação, as operações terroristas de grande impacto custam pouco. O ataque ao navio USS Cole, em 2000, e a Bali, em 2002, custaram cerca de US$ 70 mil. O horror de 11 de setembro requereu meio milhão de dólares, mas deixou um prejuízo de US$ 40 bilhões, para as seguradoras, e US$ 160 bilhões em perdas comerciais.

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