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Indignação:
de Madri a Sevilha (foto), espanhóis exigem transparência |
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A União
Européia, que se mostrou cindida durante a guerra do Iraque,
tenta agora se unir em volta de métodos mais eficientes para
combater o terrorismo. Itália, Espanha, Polônia e Reino
Unido foram aliados dos EUA, enquanto França e Alemanha lideravam
o coro dos descontentes.
Mas a cisão no seio da família européia não
foi causada pela guerra. Desde a queda do Muro de Berlim, quando
o Ocidente deixou de ter um inimigo comum, os países europeus
não falam nem no mesmo tom nem no mesmo ritmo. São
vozes em desafino que se reúnem dependendo da ocasião.
Mas agora, com a ameaça terrorista batendo à porta,
os europeus deverão deixar de lado algumas divergências.
Zapatero terá que encarar, em conjunto com os demais países
europeus, um terrorismo muito mais sofisticado e letal do que o
da ETA. “É prioritário criar um novo modelo
de segurança muito mais firme ante o desafio do terrorismo”,
afirmou o futuro primeiro-ministro. Acrescentou ainda que “o
modelo atual é deficiente em matéria de coordenação
policial.”
Enquanto isso, o agonizante governo Aznar tenta mostrar serviço.
Além dos cinco (quatro árabes e um espanhol) detidos
no dia do atentado, foram presos mais três marroquinos e dois
indianos, elevando o número de suspeitos detidos para dez.
Os marroquinos Jamal Zugam, Mohamed Bekkali e Mohammed Chaui são
acusados de pertencer a uma organização terrorista
e de ter envolvimento em 90 assassinatos e 1.400 tentativas. Zugam,
dono de uma loja de celulares, é suspeito de ser ligado a
Abu Dahdah, considerado o líder do Al-Qaeda na Espanha e
acusado de ser o responsável pelo atentado em Casablanca
em maio passado.
Enquanto a investigação prossegue, o Velho Continente
tenta evitar novas tragédias. Reino Unido, Itália
e até França e Alemanha temem possíveis atentados
e reforçam seus esquemas de segurança. A Comissão
Européia afirmou que, das dez medidas de segurança
aprovadas depois do 11 de setembro de 2001, muitas ainda não
foram implementadas na maior parte dos 15 países-membros.
Entre as novas ações do bloco europeu deverá
estar um banco de dados com informações sobre os principais
terroristas procurados e os tipos de armas e explosivos usados nos
últimos atentados. A França – que foi contra
a guerra do Iraque, mas baniu o véu das escolas irritando
a comunidade muçulmana – traça um plano de segurança
nacional envolvendo 2.500 policiais e 600 soldados para patrulhar
as estações de metrô e trem de Paris.
| Os
atentados de Madri vêm mostrar que os terroristas
da Al-Qaeda foragidos do Afeganistão continuam
aptos a realizar as piores atrocidades. A verdade é
que, neste aniversário de um ano da invasão
do Iraque, os EUA estão longe de combater os verdadeiros
terroristas que atacaram seu território. Dos 20
mil a 70 mil homens treinados pela organização
nos anos de Taleban, apenas três mil foram presos.
“Os americanos têm todos os relógios,
mas nós temos o tempo”, ironizaram certa
vez os seguidores de Osama bin Laden. Como disse o analista
britânico Michael Clark, do King’s College
em Londres, “a Al-Qaeda é disciplinada, coesa
e seletiva na admissão da organização”.
Nem mesmo o anúncio do Paquistão de que
teria cercado o segundo homem do Al-Qaeda, o egípcio
Ayman al-Zawahri, aliviou as tensões. Para piorar
ainda a situação, as operações
terroristas de grande impacto custam pouco. O ataque ao
navio USS Cole, em 2000, e a Bali, em 2002, custaram cerca
de US$ 70 mil. O horror de 11 de setembro requereu meio
milhão de dólares, mas deixou um prejuízo
de US$ 40 bilhões, para as seguradoras, e US$ 160
bilhões em perdas comerciais. |
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