| ECONOMIA
& NEGÓCIOS |
24/03/2004
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Pagode
da discórdia
Samba-enredo da campanha da Brahma,
tirou Zeca Pagodinho da Schin e criou mais uma guerra no setor |
Célia Chaim
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Desde 12 de março, uma sexta-feira que viria se tornar 13 logo
em seguida, a vida dos publicitários Nizan Guanaes, da África (que
tem a conta da Brahma), e Eduardo Fischer, da Fischer América (que
tem a conta da Nova Schin) e do mais popular sambista do País, Zeca
Pagodinho, virou mais uma guerra de cervejas, desta vez entre a
Nova Schin e a Brahma. Tudo porque Zeca Pagodinho, que levantava
o copo de Schin e convidava o consumidor a experimentá-la, como
era o refrão da campanha (Experimenta, experimenta!), está agora
revelando em comerciais da Brahma que “tudo não passou de um amor
de verão e que voltou para seu grande amor”, num samba-pagode assinado
por Nizan Guanaes e Paulo César Bernardes. A música é ótima, faz
cantar e dançar, como sempre acontece com Zeca Pagodinho. Mas criou
uma confusão inusitada no mundo de competição incessante das cervejas.
O publicitário Fischer, irado, acusa Zeca e Nizan de absoluta falta
de ética. Nizan, baianíssimo mesmo nas situações adversas, diz que
“Fischer perdeu o rebolado, depois a cabeça e agora está perdendo
as maneiras”.
Quem
já não viveu um amor de verão
Até tentou e descobriu que era ilusão
Coisa de momento que balança o coração
Mas meu amor não tem comparação Sem ela não tem papo
O pagode não dá liga
Sem ela não há festa
Ela refresca a minha vida
Cair em tentação pode ocorrer com qualquer
um
Mas grande amor só existe um
Fui
provar outro sabor, eu sei (Bis)
Mas não largo meu amor, voltei |
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Fischer
ataca a falta de ética |
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“O
comercial não foi por amor coisa nenhuma. Foi por
dinheiro” |
ISTOÉ – Essa confusão levou
as duas marcas a aparecerem mais do que aparecem na mídia?
Eduardo Fischer – Obviamente, as marcas
estão aparecendo, mas perde a sociedade brasileira,
perde a ética do nosso negócio, perde a
ética da classe artística, perde a moral
das relações comerciais. Feriram-se todos
os códigos morais e éticos do nosso negócio.
ISTOÉ – Suas críticas são
baseadas principalmente na ética?
Fischer – É o núcleo da
questão. A ética falhou em todos os sentidos.
A agência, ao pegar alguém com um contrato
em vigência, abriu uma exceção única
no nosso negócio. O artista, com um contrato
em vigência, vai para o concorrente e passa a
falar mal da empresa em que estava atuando.
ISTOÉ – Zeca Pagodinho fala mal
da Schin na música da Brahma?
Fischer – Não, mas aquela história
de amor de verão, voltei porque essa é
melhor... Isso é uma temeridade.
ISTOÉ – O que a cervejaria e a
Fischer vão fazer?
Fischer – Já estamos fazendo.
Todas as medidas processuais cabíveis serão
tomadas, como disse o Adriano (Adriano Schincariol,
27 anos, o novo diretor-superintendente da empresa).
Além de ter cometido esse dolo, ele (Nizan Guanaes)
ainda canta de galo, se vangloria.
ISTOÉ – O que se argumenta é
que quando assinou o contrato com a Schin Zeca Pagodinho
avisou que bebia Brahma.
Fischer – São coisas totalmente
díspares. Eu desconheço esse acordo. Na
hipótese de ser verdade, é bem diferente
ele tomar Brahma no banheiro da casa dele, fechado,
e ir a público, para 100 milhões de pessoas,
e fazer o que ele fez. Se o amor da vida dele era a
Brahma, eu pergunto: já que ele (Nizan Guanaes)
sabia, porque não teve a idéia de convidar
o Zeca Pagodinho para fazer propaganda antes da Schin?
O comercial vem responder para a imensa maioria dos
interessados que não foi por amor coisa nenhuma.
Foi por dinheiro. |
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“Zeca
fez um trabalho profissional, como atrizes e atores
fazem” |
ISTOÉ – A Schin sabia que Zeca só
bebia Brahma?
Nizan Guanaes – Zeca Pagodinho fez um trabalho
profissional para a Nova Schin, como atores podem fazer
para armários populares. Duvido que essas pessoas
sejam obrigadas a consumir tais produtos. O Zeca, antes
de assinar o contrato, dizia para a Schincariol: “Quero
lembrar que eu bebo Brahma.” Quando a Schin começou
a ver na imprensa fotos dele tomando Brahma, começou
a se sentir desconfortável e pegar na perna dele.
Zeca fez um trabalho profissional para a Schin, como atrizes
e atores fazem. Ninguém vai achar que o garoto
da propaganda de esponja de aço fica lavando panela
em casa. Quem ouve a Schin falando pensa que ela é
uma fofinha que nunca fez nenhum tipo de provocação.
Quando a nova Schin foi lançada, ela usou a tartaruga
da Brahma. Por isso, eles foram tirados do ar pelo Código
de Auto-Regulamentação Publicitária
(Conar). Agora o Conar indeferiu o pedido da nova Schin
porque considerou que o comercial não denigre o
concorrente.
ISTOÉ – O que se pergunta também
é por que ele rescindiu o contrato antes do tempo.
Nizan – Ele fez, como disse, um trabalho
como profissional, como tantas outras celebridades fazem.
Fez dois filmes da campanha “experimenta”,
para a qual foi contratado. Ele era obrigado a acompanhar
essa campanha específica, que saiu do ar. Fico
revoltado quando agridem o Zeca Pagodinho.
ISTOÉ – A campanha é acusada
de ferir a ética.
Nizan – Não vou ficar acendendo
o Eduardo. Ele perdeu o rebolado, depois a cabeça
e agora está perdendo as maneiras.
ISTOÉ – Como acabará essa
história?
Nizan – Vai haver uma coisa arrastada
na Justiça e em setembro termina o contrato do
Zeca e o desquite das duas partes. E aí as coisas
vão se esclarecer. |
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