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  COMPORTAMENTO 24/03/2004
Qualidade de vida
 
De olho no futuro
Pesquisa mostra que o brasileiro já reclama seus direitos
e pensa no meio ambiente

Greice Rodrigues

  Hélcio Nagamine
  Ativista: Sylvia separa o lixo de casa e leva aos pontos de coleta

Atire a primeira pedra aquele que nunca
praticou o pecado do desperdício. Quem já não esqueceu a torneira aberta na hora de escovar os dentes ou de lavar a louça? Ou não se lembrou de separar plásticos e vidros de restos de alimentos no lixo? Atitudes como essas ainda passam despercebidas para muita gente, mas o País já pode comemorar uma mudança. Pelo menos 6% dos brasileiros baniram o ato de esbanjar do cotidiano. Outros 37% estão no caminho certo. É o que mostra a pesquisa Descobrindo o consumidor consciente: uma nova visão da realidade brasileira, do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, de São Paulo.

Para avaliar o comportamento dos consumidores, foram ouvidos mil moradores de 11 capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Salvador, Curitiba, Belém, Brasília e Goiânia) e áreas metropolitanas. Foram avaliadas 13 ações comuns, como apagar as luzes ao deixar um recinto, separar lixo para reciclagem, pedir nota fiscal, ler rótulo dos produtos antes de comprá-los e procurar órgãos de defesa do consumidor para reclamar direitos. O estudo mostrou que 6% da população é consciente, ou seja, adota 11 ou mais dos itens listados. Os que praticam de oito a dez das atitudes selecionadas são os comprometidos. Eles representam 37% da população. “É um número bastante expressivo. E o surpreendente é que aparece em todas as classes sociais”, avalia Helio Mattar, diretor-presidente do instituto.

A pesquisa também apontou que a responsabilidade social das empresas pesa na decisão de compra. Os consumidores conscientes acreditam
que apoiar campanhas contra o trabalho infantil, colaborar com entidades sociais, adotar práticas de combate à poluição ou contratar deficientes são iniciativas que agregam valor aos produtos. “Para o consumidor,
além de gerar lucros e pagar impostos, as empresas têm de contribuir para melhorar o País. Isso faz com que elas mudem”, completa Mattar.
A tradutora paulista Sylvia Márcia Belinky é um exemplo de consumidora consciente. Atenta aos seus direitos, ela ligou para uma empresa
para tirar satisfações, ao ver o produto que apreciava retirado do mercado. Também anda pela cidade em busca de pontos de coleta para materiais recicláveis. E os cuidados contra o desperdício fazem parte da rotina. “São gestos que trazem economia e paz de espírito. Penso no futuro”, diz Sylvia.

 
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