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 ECONOMIA & NEGÓCIOS 19/09/2001
Turismo

O medo está no ar
Paralisado, setor de turismo espera a normalização dos aeroportos nos EUA e prevê retração

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João Paulo Nucci

Alan Rodrigues
O casal Lima teve de adiar a viagem, mas não desistiu de ver o filho em Miami

Um dos mais populares cartões-postais do mundo foi fulminado, de forma cinematográfica, na frente de milhões de telespectadores embasbacados. As consequências da tragédia para o setor de turismo no longo prazo ainda são incertas. Mas, de imediato, ele foi um dos mais afetados pelas cenas de selvageria e destruição proporcionadas pelos terroristas em Nova York. Logo após a tragédia, as agências que trabalham com viagens internacionais só faziam buscar seus clientes que já haviam viajado para os Estados Unidos. Quem tinha vôo marcado para o país ficou em compasso de espera, ou simplesmente desistiu de viajar. O baque vai ser grande, segundo a própria Associação Brasileira dos Agentes de Viagens (Abav). “A movimentação turística internacional vai despencar”, afirma Goiaci Alves Guimarães, presidente da entidade.

AFP

A salvação do setor, como sempre acontece em momentos de crise internacional ou alta acentuada do dólar, será o turismo interno. No primeiro semestre, diante da disparada do preço da moeda americana, a venda de passagens aéreas para o Exterior já havia caído 5,8% em comparação com o ano passado. Enquanto isso, o trânsito interno aumentava 13%. A tendência agora é que esse movimento se acentue, de acordo com a gravidade dos desdobramentos da tragédia. “Caso não haja novos atos de terrorismo ou a eclosão de uma guerra, a retração vai se restringir ao curto prazo”, prevê o executivo Alfredo Spínola, da Belta, a associação das empresas de turismo educacional, que levam ao Exterior 80 mil brasileiros por ano. A economista Patrícia Helena Nascimento Massaro, 29 anos, ia engrossar esse número. Ela tinha passagem marcada para a sexta-feira 14 para Nova York, onde passaria três meses estudando inglês. Seu projeto teve de ser adiado e, talvez, seja alterado. “Se as coisas se acalmarem, vou viajar para lá no mês que vem. Se não, vou fazer o curso em outro país.”

Um dos brasileiros afetados diretamente pela tragédia – ele estava no vôo da TAM que teve de retornar ao Brasil minutos após a decolagem, na terça-feira 11 —, o engenheiro Getúlio de Oliveira Lima manteve seus planos intactos. Vai embarcar para Miami, junto com a mulher, Lecy Lima, na primeira oportunidade que tiver. “Estou muito aborrecido, mas vou visitar meu filho e meus netos, que moram lá, de qualquer jeito.” Pessoas em situação parecida com dos Lima, que precisam viajar, devem ser os primeiros passageiros para os Estados Unidos assim que o país reabrir seus aeroportos. Já os viajantes ocasionais devem retomar suas rotas aos poucos, assim que reconquistarem a confiança no país. Por enquanto, o grande prejuízo estourou nas mãos das companhias aéreas, que terão de absorver perdas já estimadas em US$ 10 bilhões com as centenas de vôos cancelados.

Quem encarar a viagem para os Estados Unidos nos próximos meses deve saber que enfrentará um megaesquema de segurança. Os vôos, pelo menos por enquanto, serão acompanhados por agentes federais à paisana e armados, para evitar tentativas de sequestro. A revista será rigorosíssima. Nem canivetes suíços serão tolerados. Vai ficar até mais difícil comer a bordo. As companhias estão proibidas de distribuir facas para corte de carne aos passageiros. A paranóia está no ar.

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